Organização Mundial da Saúde ÁfricaESCRITÓRIO REGIONAL para a BUREAU RÉGIONAL DE L’ Organização Mundial da Saúde ÁfricaESCRITÓRIO REGIONAL para a BUREAU RÉGIONAL DE L’ Competéncias essenciais para a força de trabalho de saúde ocular na região africana da oms Região Africana da OMS | I COMPETÉNCIAS ESSENCIAIS PARA A Força de Trabalho de Saúde Ocular NA REGIÃO AFRICANA DA OMS Organização Mundial da Saúde ÁfricaESCRITÓRIO REGIONAL para a BUREAU RÉGIONAL DE L’ II | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Competências essenciais para a força de trabalho de saúde ocular na Região Africana da OMS ISBN: 978-929034137-6 © Escritório Regional da OMS para a África, 2020 Alguns direitos reservados. Este trabalho é disponibilizado sob licença de Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 IGO (CC BY-NC-SA 3.0 IGO; https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/3.0/igo/). 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Citação sugerida: Competéncias essenciais para a força de trabalho de saúde ocular na região africana da OMS. Brazzaville: Organização Mundial da Saúde, Escritório regional para a África; 2020. Licença: CC BY-NC-SA 3.0 IGO. Dados da catalogação na fonte (CIP). Os dados da CIP estão disponíveis em http://apps.who.int/iris. Vendas, direitos e licenças. Para comprar as publicações da OMS, ver http://apps.who.int/bookorders. Para apresentar pedidos para uso comercial e esclarecer dúvidas sobre direitos e licenças, consultar http://www.who.int/about/licensing. Materiais de partes terceiras. Para utilizar materiais desta publicação, tais como quadros, figuras ou imagens, que sejam atribuídos a uma parte terceira, compete ao utilizador determinar se é necessária autorização para esse uso e obter a devida autorização do titular dos direitos de autor. 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Concepção gráfica e impressão: Escritório Regional da OMS para a África, República do Congo Região Africana da OMS | i Índice Índice ...................................................................................................................................................... i Agradecimentos ................................................................................................................................. ii Prefácio ................................................................................................................................................ iv Siglas e acrónimos ............................................................................................................................. v Definições operacionais .................................................................................................................. vi Capítulo 1: Introdução ...............................................................................................................................................1 Capítulo 2: Classificação de Força de Trabalho de Saúde Ocular .............................................................................5 Capítulo 3: Funções da Força de Trabalho de Saúde Ocular ....................................................................................9 Capítulo 4: Competências para Oftalmologistas .....................................................................................................13 Capítulo 5: Competências para Optometristas .......................................................................................................19 Capítulo 6: Competências Essenciais para os Outros Profissionais de Saúde Ocular .............................................27 Capítulo 7: Competências Essenciais Não Clínicas Comuns para a Força de Trabalho de Saúde Ocular .............35 Capítulo 8: Implementação ......................................................................................................................................41 Referências ........................................................................................................................................43 Anexos ................................................................................................................................................44 ii | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Agradecimentos As Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular foram elaboradas em colaboração com a rede nacional, regional e internacional de peritos que forneceu orientações ao longo de todo o processo, participando na revisão das versões preliminares em cada fase da sua preparação e desenvolvimento. A participação incluiu duas rondas do Delphi modificado para a obtenção de consenso sobre as competências (a lista dos contribuidores individuais encontra- se no Anexo VII), que envolveu uma participação mais alargada, para além de presença em duas reuniões de peritos realizadas em Nairobi (Setembro de 2017 e Fevereiro de 2018). Por conseguinte, o Secretariado da OMS gostaria de dar um agradecimento especial aos seguintes peritos: James Amoo Addy (Chefe da Unidade de Saúde Ocular, Coordenador Nacional, Prevenção da Cegueira, MdS do Gana); Mouctar D Badiane (Coordenador do Programa Nacional de Promoção da Saúde Ocular, Senegal); Komi Matiklu Balo (Professor de Oftalmologia na Universidade de Lomé); Grace Chipalo-Mutati (Superintendente Médica Superior, Hospital Universitário Oftalmológico da Zâmbia); Ellen A. Clegg (Antiga Directora da Escola de Enfermagem Oftalmológica, Korle Bu); André Omgbwa Eballe (Coordenador Adjunto, Programa de Prevenção da Cegueira, Camarões); Richard Ganga-Limando (Centro de Colaboração da OMS para a Pós- Graduação em Ensino à Distância, Universidade da África do Sul); Dunera Ilako (Consultor de Oftalmologia, Universidade de Nairobi); Godfrey Kaggwa (Coordenador do Projecto SiB Project, Brien Holden Vision Institute, Uganda); Jefitha Karimurio (Chefe do Departamento de Oftalmologia da Universidade de Nairobi); Abigail Kazembe (Professora Associada e reitora adjunta, Faculdade de Enfermagem de Kamuzu, Universidade do Maláui); Annette Kobusingye (Gestora de Programa, Fundação Fred Hollows, Região Africana, Uganda); Aaron T. Magava (Director da IAPB Africa, Zimbabué); Fikile Ntombi Mtshali (Centro de Colaboração da OMS - Faculdade de Enfermagem e Saúde Pública, Universidade de Kwazulu-Natal, África do Sul); Peter Mwangi Kirigwi (Tecnólogo Formador em Optometria, Faculdade de Formação Médica do Quénia); Kolawole Ogundimu (Líder Técnico Global Sénior, Saúde Ocular, Sightsavers, Nigéria); Mollent Okech (Conselheiro Técnico Sénior de RHS, Ciências de Gestão para a Saúde, Quénia); Joseph Enyegue Oye (Director Nacional, Sightsavers, Camarões); Senanu K Quacoe- Wossinu (África Ocidental Francófona e Lusófona, Co-Director do IAPB-Africa); Zahra Rashid (Optometrista, Quénia); Bernadetha Robert Shilio (Gestora do Programa Nacional de Cuidados Oculares, Ministério da Saúde, Tanzânia); Kassa Tsehaynesh Tiruneh (Coordenador Nacional de Saúde Ocular, MFdS, Etiópia); Linda Visser (Chefe da Academia, Dep. de Oftalmologia, Vice-Presidente do OSSA, Presidente da Faculdade de Oftalmologia, África do Sul). A OMS gostaria de agradecer às equipas de desenvolvimento de operações do HReH da IAPB que fez o trabalho técnico de base preparatório. Este documento regional de política foi elaborado pelos serviços de consultoria do Dr.Michael Gichangi (Chefe da Unidade de Serviços Oftalmológicos - Ministério da Saúde do Quénia) nas suas diversas fases. Simona Minchiotti, Renée du Toit e Mwansa Nkowane contribuíram para o conteúdo técnico do documento e forneceram feedback técnico ao consultor. O grupo director para o processo global foi liderado pela OMS e a Agência Internacional para a Região Africana da OMS | iii Prevenção da Cegueira em África (IAPB), com Adam Ahmat, Simona Minchiotti, Jennifer Nyoni e Mwansa Nkowane (Organização Mundial da Saúde), em colaboração com Simon Day, Renée du Toit e Ronnie Graham (Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira - IAPB) e Luigi Bilotto (Brien Holden Vision Institute). Reconhece-se o contributo do Dr. Adrian Hopkins (Facilitator, Adrian Hopkins Consulting) que facilitou ambas as reuniões consultivas de peritos e a reunião de validação, assim como a revisão técnica do documento. Na OMS, gostaríamos de agradecer os contributos de Hillary Kupruto e Sílvio Paolo Mariotti. A OMS agradece também à Organisation pour la Prévention de la Cécité (OPC, Paris, França) pela tradução do projecto de trabalho provisório do documento das competências essenciais para Francês, de modo a facilitar o processo de validação dos peritos. A OMS agradece a Dr Margarida Chagunda ( Ministério da Saúde - Moçambique) que fez a verificação técnica da tradução da versão em lingua Portuguesa. A concepção gráfica e a composição ficarama cargo de Rail Graphic Design CC (Durban, África do Sul). A OMS reconhece o contributo financeiro da IAPB e da Sightsavers para o processo geral de elaboração deste documento. iv | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Prefácio A maioria dos países da África Subsariana enfrenta uma grave crise de escassez de profissionais de saúde qualificados que impede a concretização da Cobertura Universal de Saúde, sobretudo em áreas especializadas como a da saúde ocular. Este documento de política é um passo a diante para o melhoramento da qualidade dos cuidados de saúde ocular. Descreve o desenvolvimento de competências essenciais para os quadros que constituem a equipa de profissionais de saúde ocular. Na África Subsariana, estima-se que haja 3,6 milhões de cegos, 17,4 milhões sofrem de deficiência visual moderada ou grave e 100 milhões vêem mal ao perto. A deficiência visual tem um impacto negativo não apenas na qualidade de vida de uma pessoa, mas também na economia nacional e regional. A maioria das pessoas que sofre de deficiência visual tem mais de 50 anos de idade, muitas das quais vivem em zonas rurais. Isto coloca um enorme fardo na Região Africana da OMS, que já enfrenta uma miríade de desafios que agravam esta escassez de prestadores qualificados de saúde ocular. Pior ainda, a distribuição dos prestadores de saúde ocular disponíveis é desigual, com a maioria trabalhando colocado nas zonas urbanas. Perante a escassez de recursos humanos para a saúde ocular, e em sintonia com a abordagem da OMS de transferência ou partilha de tarefas, este documento de política é um contributo único para detalhar as competências necessárias de toda uma multiplicidade de profissionais de saúde ocular. Os países podem seleccionar e personalizar estas competências essenciais para satisfazer as necessidades específicas do país. O corpo dos profissionais de saúde ocular pode partilhar algumas competências, mas há outras que são exclusivas de alguns quadros profissionais. As competências seleccionadas podem então ser incluídas em programas curriculares de ensino, melhorando a transformação da transferência a partilha de tarefas, da frequentemente delegação informal e formação desestruturada para a produção de profissionais competentes de saúde ocular que desempenhem tarefas no âmbito das suas funções e ao abrigo de quadros reguladores nacionais e da sua profissão. O ensino baseado em equipas está também em linha com a abordagem da OMS ao ensino interprofissional e às práticas de colaboração. A OMS continua a reivindicar serviços de saúde ocular de elevada qualidade que sejam integrados e centrados nas pessoas. Os serviços integrados asseguram que existe uma continuidade dos cuidados, que incluem a promoção e a prevenção, os cuidados oculares paliativos e de reabilitação e o diagnóstico, assim como a gestão das doenças oculares - todos coordenados entre diferentes disciplinas e prestadores. Pelo seu lado, os cuidados oculares centrados nas pessoas significa que as necessidades e as preferências das pessoas são levadas em conta e que a pessoa é um participante activo na prestação dos cuidados. Para isto, a OMS exorta a que os métodos tradicionais de ensino e aprendizagem sejam transformados em ensino baseado nas competências. A OMS lança também um apelo para que os métodos tradicionais de ensino mudem para uma interdependência que harmonize o ensino com os sistemas de saúde e apoie o trabalho em rede e as práticas de colaboração. A OMS e a Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB) estão a trabalhar para a harmonização das tarefas e funções nos recursos humanos para a saúde (RHS) num enquadramento ao nível mundial e trabalharam em estreita colaboração para desenvolver as tarefas e as funções da equipa de profissionais de saúde ocular, em linha com as normas mundiais. Seguiu-se processo Região Africana da OMS | v rigoroso de envolvimento dos peritos e das instituições de formação em saúde ocular na Região Africana da OMS, com o intuito de desenvolver competências essenciais para a equipa, chegando a um consenso sobre as mesmas e assegurando a sua apropriação. O resultado de todos estes esforços foi a validação das actuais competências essenciais para a equipa de profissionais de saúde ocular na Região Africana. Este documento de política é um primeiro passo no desenvolvimento do ensino baseado nas competências para os profissionais de saúde ocular que vai de encontro às necessidades da Região Africana e aos desafios ímpares que enfrenta. É sobretudo um documento de referência que pode ser utilizado quando se revê ou se elabora programas curriculares para os profissionais de saúde ocular. Para além disso, pode também ser usado na planificação, gestão, regulação, etc. da força de trabalho. Antevemos que o uso do documento venha a contribuir para uma qualidade mais elevada dos cuidados, harmonizados em toda a Região. O seu uso irá também estimular o desenvolvimento das capacidade das instituições de formação, reforçar os sistemas de saúde e apoiar as equipas de profissionais de saúde ocular a aplicarem as competências adquiridas para a prestação de cuidados de saúde ocular de qualidade, como um passo para a consecução da Cobertura Universal de Saúde. DR.ª MATSHIDISO MOETI Directora Regional da OMS para a África Siglas e acrónimos AFCO Conselho Africano de Optometria AFRO Escritório Regional da OMS para a África CITP Classificação Internacional Tipo das Profissões CUS Cobertura Universal de Saúde IAPB-Africa Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira - Região Africana ICO Conselho Internacional de Oftalmologia TMO Técnico Médio de Oftalmologia ODS Objectivos do Desenvolvimento Sustentável OMS Organização Mundial da Saúde OPSO Outros Profissionais de Saúde Ocular RHSO Recursos Humanos para a Saúde Ocular SAG Grupo Consultivo Permanente WCO Conselho Mundial de Optometria WHO World Health Organization vi | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana CAPÍTULO 5 Competências para Optometristas 1 Introdução 2 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Definições operacionais Comportamento A forma como nos comportamos num ambiente específico. Competência Conhecimentos e aptidões psicomotoras, de comunicação, tomada de decisões e atitudes suficientes para permitir o desempenho de acções e tarefas específicas a um nível definido de proficiência. Declaração de competência Descrição dos resultados esperados do desempenho de funções relacionadas com a profissão. Competente Capacidade de executar tarefas específicas a um nível definido de proficiência, usando conhecimentos, competências e um comportamento profissional adquiridos. Competências essenciais Aspectos de uma disciplina que são comuns a todos os alunos e que devem ser dominados para habilitar e permitir a prática profissional. Domínio de competência Termo abrangente que cobre várias áreas da aprendizagem. Abordagem baseada na competência Uma abordagem disciplinada que especifica os problemas da saúde a serem contemplados: identifica as competências que os graduados têm de ter para o bom desempenho do sistema de saúde; adapta o programa curricular para alcançar as competências; e avalia as realizações e as insuficiências. Adopta um processo de aprendizagem altamente individualizado ao invés do tradicional programa curricular uniforme para todos. Equipa de saúde ocular No contexto deste documento, o foco recai nos três grupos de profissionais qualificados de saúde ocular (oftalmologistas, optometristas e outro profissional oftálmico). A equipa de saúde ocular engloba normalmente mais funcionários. Comportamento saudável Qualquer actividade levada a cabo por uma pessoa, independentemente do seu estado de saúde real ou aparente, com o objectivo de promover, proteger ou manter a saúde, seja ou não este comportamento objectivamente eficaz para atingir este propósito. Promoção da saúde O processo de possibilitar às pessoas aumentarem o controlo da sua saúde e a melhorarem Comportamento de procura de opções saudáveis Medidas pessoais para promover um estado optimizado de bem-estar, recuperarão e reabilitação (NOC 1603). Serviços integrados de saúde A gestão e a prestação de serviços de saúde para que os utentes um continuum de serviços de promoção, prevenção das doenças, diagnóstico, tratamento, gestão das doenças, reabilitação e cuidados paliativos de saúde nos diferentes níveis, especialidade e unidades do sistema de saúde e de acordo com as suas necessidades ao longo da vida. Conhecimento Entendimento de uma disciplina e a capacidade de aplicar competências. Centrada nas pessoas Uma abordagem aos cuidados que está conscientemente organizada em torno de e que responde às necessidades, expectativas e preferenciais de saúde das pessoas ou dos utentes de uma forma holística. Aptidão A capacidade para desempenhar tarefas específicas a um nível específico de desempenho mensurável. Cobertura Universal de Saúde Garantir que todas as pessoas têm acesso aos necessários serviços de promoção, prevenção, curativos e de reabilitação de saúde de qualidade suficiente para serem eficazes, ao mesmo tempo que se assegura que o uso destes serviços não expõe o utente a dificuldades financeiras. Validação Determinar e confirmar através de um processo que as competências são adequadas. Reabilitação da visão A continuidade de actividades, desde a avaliação das funções visuais, através da disponibilização de dispositivos e tecnologias auxiliares adequadas e da inclusão, todas direccionadas para optimizar a função visual e uma proporcionar uma sensação de bem-estar. (https://www.aoa.org/optometrists/membership/aoa-sections/vision- rehabilitation-section/membership-benefits/definition-of-vision-rehabilitation Terapia visual Também conhecida por estimulação visual, é definida como o uso de uma série de procedimentos levados a cabo em casa, na escola e no trabalho, por vezes com dispositivos ópticos ou não ópticos, para melhorar a visão residual e as capacidades visuais, tais como o controlo e a coordenação dos movimentos oculares. É geralmente realizada sob a supervisão de um profissional. Região Africana da OMS | 3 1.1 Introdução Em todo o mundo, 285 milhões de pessoas sofrem de deficiência visual. Destas, 39 milhões são cegas e 246 milhões sofrem de baixa visão. A deficiência visual aumenta com a idade (13). Sessenta e cinco (65%) dos deficientes visuais e 82% dos cegos têm mais de 50 anos de idade (11). Em África, existem 4,8 milhões de pessoas cegas e 16,6 milhões de portadores de deficiência visual; no entanto, mesmo com o elevado fardo de doenças oculares em África, menos de 1% do número global de oftalmologistas exerce a sua actividade no continente africano. Apenas 13 países em África cumprem o requisito mínimo de um profissional de saúde ocular por 55 000 habitantes (14). A maioria dos oftalmologistas e optometristas trabalha em zonas urbanas, ao passo que os outros profissionais de saúde ocular (OPSO) tende a sair das capitais e a ir para as vilas e aldeias. Embora a taxa de crescimento no grupo de pessoas com mais de 60 anos seja 2,9%, a taxa de crescimento dos oftalmologistas é de 1,2% (menos de metade) (15,16). A escassez de recursos humanos para a saúde ocular (RHSO) foi agravada pela limitada capacidade das instituições de formação em saúde ocular na Região Africana (Quadro 1). A crise na força de trabalho de saúde ocular tem, por isso, um impacto ainda maior na Região. Para haver um maior impacto na taxa e na cobertura da cirurgia de catarata e na correcção de erros de refracção reduzindo assim a deficiência visual e a cegueira a nível mundial, são necessários recursos humanos qualificados em número suficiente para a saúde ocular (17, 18). A qualidade, quantidade e distribuição dos profissionais de saúde está correlacionada com resultados de saúde positivos (8). A densidade de profissionais de saúde é usada como um dos indicadores da capacidade dos serviços e os dados relativos ao acesso são usados para acompanhar os progressos para a Cobertura Universal de Saúde (CUS) (2). Quadro 1: Análise das necessidades e das capacidades das instituições de formação em saúde ocular na Região Africana da OMS Categoria Avaliação das necessidades Capacidades das instituições de formação em saúde na Região Africana da OMS Rácios recomenda dos Número necessário Total existen Te Défice existente Número total de instituições Recruta- mento anual Número de anos para alcançar as metas** Oftalmologistas 1/250,000 4,000 2,075 1,925 (48%) 51 250 8 Optometristas1 1/250,000 4,000 8,900 90%* 27 500 7 Outros Profisisonais de Saúde Ocular 1/100,000 10,000 6,390 3,610(36%) 30 763 6OPOS (clínicos) 24 277 OPSO (enfermeiros) 6 486 Fonte: IAPB Vision Atlas and Training Institutions Database * Estimativas; ** números não ajustados para o desgaste 1.2 O apelo à acção a nível mundial Entre muitas outras recomendações, a comissão Lancet sobre ensino de profissionais de saúde para o século XXI propõe a Adopção de um programa curricular baseadas nas competências que seja reactivo às necessidades em rápida mudança ao invés de ser dominado pelo trabalho académico estático. As competências devem ser adaptadas aos contextos locais e ser determinadas pelas partes interessadas nacionais, ao mesmo tempo que se tira partido dos conhecimentos e das experiências ao nível mundial. Simultaneamente, as lacunas actuais devem ser preenchidas no âmbito das competências necessárias para lidar com os desafios do século XXI, que são comuns a todos os países... (1). Foram também envidados esforços para realçar a centralidade no doente e na população; o ensino interprofissional baseado em equipas; o ensino capacitado pelas TIC; e políticas e competências de gestão e liderança como os alicerces para o futuro. Deste modo, propõe-se esta mudança transformadora nos métodos de ensino e aprendizagem, para desenvolver prestadores de serviços competentes e centrados nas pessoas (20). Em resposta às necessidades da Região Africana da OMS, o Escritório Regional da OMS para a África elaborou um roteiro em 2011. (2012-2025) para aumentar a força de trabalho da saúde para melhorar o acesso aos serviços (9). O roteiro proposto aborda todas as categorias da força de trabalho da saúde e analisa os desafios que a Região enfrenta. Reconhecendo a importância da saúde ocular, a OMS lançou um apelo mundial *Existem ±10 000 optometristas na Nigéria e na África do Sul, outros países têm algumas centenas; 78% dos países têm menos de 50 e outros, como a Namíbia, não têm nehum. Jennifer J Palmer FC, Alice Gilbert, Devan Pillay, Samantha Fox, Jyoti Jaggernath, Kovin Naidoo, Ronnie Graham, Daksha Patel e Karl Blanchet.* Trends and implications for achieving Vision 2020: human resources for eye health targets in 16 countries of sub-Saharan Africa by the year 2020. Human Resources for Health. 2014. 4 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana para se alcançar os cuidados de elevada qualidade que incidem em duas dimensões particulares: cuidados integrados e centrados no doente (19). O plano de acção mundial da OMS para 2014-2019 (Para a Saúde Ocular Universal) visa reduzir em 25% até 2019 o fardo da deficiência visual face à base de referência de 2010. Recomenda reforçar os serviços de saúde ocular através da integração nos sistemas de saúde e não através de uma abordagem de programas verticais. O ponto de partida para aumentar a qualidade, a quantidade e a relevância da força de trabalho de saúde ocular é o reforço das instituições de formação para produzirem mais profissionais qualificados, com base nas normas adequadas, e garantir a sua integração no sistema de saúde. O desenvolvimento de competências de saúde ocular constitui um passo nessa direcção. 1.3 O processo de desenvolvimento O desenvolvimento de competências essenciais para a força de trabalho de saúde ocular será a primeira fase de formação da abordagem baseada nas competências. (1). A formação baseada nas competências é um método mais reactivo e transformador do ensino, mais centrado nas necessidades do doente do que nos métodos tradicionais de formação. A IAPB e a OMS colaboraram num amplo processo de consulta para desenvolver as competências essenciais para as equipas de saúde ocular (Anexo I). Peritos em saúde ocular, formadores, responsáveis por políticas e prestadores de serviços têm estado activamente envolvidos no processo desde 2013. Teve lugar uma sequência de actividades entre essa data e 2018, que estão descritas em baixo. (a) Revisão documental: Foi usada uma ampla variedade de documentos de referência, incluindo a Classificação Internacional Tipo das Profissões (CITP-08) (para as funções ocupacionais identificadas) e o CanMEDS (uma quadro de competências existente para o ensino médico). (b) Consultas com os peritos: Peritos de países de língua Inglesa, Francesa e Portuguesa da África Subsariana colaboraram com o objectivo de obter consenso e validar as competências. Realizaram- se duas reuniões nominais (Anexos II e III) e várias reuniões e consultas online. (c) Inquérito Delphi: Foram realizadas duas rondas de inquéritos Delphi, tendo as conclusões sido usadas para aperfeiçoar as versões do documento. (d) Validação: Um seminário de validação foi realizado em Nairobi, no Quénia, de 27 de Fevereiro a 1 de Março de 2018 envolvendo uma grupo alargado de peritos e representantes de Estados- Membros africanos. Este seminário teve como finalidade analisar em pormenor, avaliar e rever ambos, todo o processo e o documento, para validar em definitivo as competências essenciais para a força de trabalho de saúde ocular na Região Africana da OMS. Os principais beneficiários destas competências são: • Oftalmologistas • Optometristas • Outros Profissionais de Saúde Ocular (OPSO) Estas competências essenciais podem ser usadas como ponto de partida no desenvolvimento de programas curriculares específicos baseados nas competências para diferentes quadros da equipa de saúde ocular na Região. Isto poderá ajudar a harmonizar os programas de saúde ocular, melhorando desta forma o nível dos cuidados na Região. Além disso, as competências terão ainda diversos outros usos. Podem ser utilizadas como um guia para a aprendizagem autodirigida, como uma ferramenta de advocacia e para avaliação. Haverá também uma grande variedade de utilizadores das competências. Estas incluem: (a) Instituições de ensino (b) Formandos de saúde ocular (c) Associações profissionais (d) Órgãos reguladores e de licenciamento (e) Decisores políticos, p.ex., Ministérios da Saúde e da Educação. O Anexo IV fornece opções pormenorizadas para o seu uso. 1.4 O quadro de competências Em última instância, estas competências têm por finalidade melhorar a qualidade e a relevância dos cuidados prestados pelos profissionais de saúde ocular. A atribuição de competências específicas a um quadro específico do pessoal da área da saúde ocular cabe às instituições de formação e aos órgãos reguladores.O documento define um conjunto completo de competências essenciais (mínimas) para a força de trabalho de saúde ocular como um passo no sentido do desenvolvimento de uma formação baseada nas competências. Este quadro está dividido em 10 domínios: 4 domínios clínicos e 6 não clínicos. Cada competência está ainda subdividida em conhecimentos, aptidões, atitudes e comportamentos associados pertinentes. CAPÍTULO 2 Classificação de Força de Trabalho de Saúde Ocular 6 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana 2.1 Introdução A Declaração de Ouagadougou sobre os cuidados de saúde primários e sistemas de saúde influenciou a escolha do CanMEDS - um quadro existente de competências para o ensino e prática clínica - como o quadro organizativo adequado. Este foi adaptado em 10 domínios criados para organizar as competências. As competências associadas com os domínios, que são únicos ou partilhados entre os três grupos de profissionais da força de trabalho, estão indicados na Secção 3. A Classificação Internacional das Profissões (CITP-08) é um sistema de classificação estruturado de quatro níveis hierárquicos para as profissões. Permite a produção de dados relativamente pormenorizados e comparáveis internacionalmente. A nível mundial, é validado pelas organizações laborais e utilizado pela OMS e os governos de muitos países africanos. A CITP-08 classifica, codifica e define em traços gerais os cuidados de saúde que os profissionais prestam, juntamente com os seus níveis de autonomia e supervisão (21). 2.2 Sistema de classificação Embora a categorização e a definição de oftalmologistas e optometristas seja, em grande medida, relativamente simples e sem controvérsia, o mesmo não é o caso da força de trabalho de nível médio, pois existe uma grande variedade de nomenclaturas, educação e funções associadas com estes funcionários. Os outros profissionais de saúde ocular (uma alternativa usada na literatura para evitar o termo “pessoal de nível médio”) constitui um grupo heterogéneo de funcionários com formação oftálmica especializada. Em contraste com os oftalmologistas e os optometristas, é frequente os OPSO desempenharem funções nas zonas rurais (17). Estes trabalham em equipas multidisciplinares e atendem utentes com perturbações da visão. Os doentes são-lhes enviados directamente ou encaminhados pelos trabalhadores comunitários de saúde ou ao nível dos cuidados de saúde primários. Os OPSO diagnosticam e tratam doenças oculares e encaminham os doentes com afecções que ultrapassam as suas competências, servindo assim de ponte entre os oftalmologistas e os trabalhadores comunitários de saúde e dos CSP. São também um elo de ligação entre os serviços de saúde e os serviços sociais na comunidade, em alguns lugares isto inclui a educação, a reabilitação e os serviços para a baixa visão (como ilustrado na Figura 1 em baixo) contribuindo todos para a CUS. O termo “outros profissionais de saúde ocular” é amplamente usado para este grupo no seu todo e pode ser usado em vez do termo “nível médio”. Nem o pessoal de nível médio nem os OPSO existem especificamente como grupos profissionais na CITP-08. Além dos oftalmologistas e optometristas, os quadros específicos de especialistas em saúde ocular podem ser incluídos nas categorias de paramédicos, profissionais de enfermagem, assistentes clínicos e técnicos médicos da CITP-08. Este último grupo, que tem recebe formação em trabalho ou de curta duração para o “desempenho de tarefas clínicas e administrativas básicas para apoiar os cuidados aos doentes sob supervisão directa”, não é muito prevalecente na África Subsariana, nem o são os oculistas (3254) ou os ortoptistas (2267). Por isso, estes grupos não foram, incluídos nestes processos. A definição de competências neste documento diz, assim, respeito aos três principais grupos de profissionais de saúde ocular: oftalmologistas, optometristas e outros profissionais de saúde ocular (profissionais de enfermagem e paramédicos). A justificação para considerar os enfermeiros e os paramédicos como um único grupo dentro dos OPSO é que os outros profissionais de saúde ocular desempenham funções variadas em diferentes países. Algumas das competências esperadas destes profissionais podem ser identificadas como competências clínicas ou de enfermagem. Em países sem quadros de paramédicos, são sobretudo os enfermeiros que desempenham muitas das tarefas tradicionalmente consideradas como sendo do âmbito dos paramédicos ou dos oftalmologistas. Como tal, os países podem definir quais os quadros que desempenham estas funções e seleccionar competências adequadas para os requisitos e estruturas de recursos humanos. Região Africana da OMS | 7 Figura 1: Os OPSO são uma ponte entre a comunidade e o oftalmologista Oftalmologistas e outros especialistas em saúde ocular ou geral Paramédicos (2240) técnicos de cirurgia p.ex.,técnicos médios de oftalmologia cirurgiões não médicos para catarata/triquíase Profissionais de enfermagem (2221) p. ex., enfermeiros especialistas; enfermeiros oftálmicos Assistentes médicos (3256) e outros p. ex., assistentes oftálmicos, ortoptistas (2267), oculistas (3254), técnicos oftálmicos, fotógrafos e assistentes de imagiologia médica (5329) Profissionais de saúde dos CPS e trabalhadores comunitários de saúde fazem a ligação aos serviços de saúde e sociais (Figura do Renée du Toit em nome do grupo de trabalho de OPSO dos recursos humanos para a saúde ocular da IAPB) A partir daqui, a referenciação e codificação da CITP-08 para as principais categorias de profissionais de saúde ocular foi usada para ajudar ao prosseguimento da categorização, para garantir que estas seriam aceitáveis ao nível mundial (Quadro 2). Quadro 2: Classificação internacional dos profissionais de saúde ocular Quadro Referência geral Código CITP-08 Descrição Oftalmologistas Médicos especializados 2212 Um oftalmologista é um médico que se especializou com uma pós-graduação em Oftalmologia. Os oftalmologistas podem ainda formar-se em sube- specialidades (não incluído neste documento). Espera-se que sejam capazes de diagnosticar, tratar (médica e cirurgicamente) e prevenir doenças, afecções e traumatismos oculares, utilizando procedimentos e técnicas e aplicando princípios de medicina moderna para prestar cuidados oculares completos. Podem também diagnosticar doenças gerais do corpo e tratar manifestações oculares de doenças sistémicas (21-23) Optometristas Outros profissionais de saúde 2267 Os optometristas e os oculistas prestam serviços de diagnóstico, manejo e tratamento para as perturbações da visão e do sistema visual. Prestam aconselhamento sobre saúde ocular e prescrevem produtos ópticos e outras terapias para as perturbações da visão.2 Outros profissionais de saúde ocular Para- médicos Profissionais de Enfermagem 2240 2221 (Fonte: ILO (2008) International Standard Classification of Occupations (21)) E N C A M I N H A M E N T O D im in ui çã o d a au to no m ia A um en to d a su p er vi sã o 2 O conselho Mundial de Optometria define optometria como uma ‘…profissão que é autónoma, qualificada e regulada (licenciada ou registada), e optometristas são os praticantes ao nível dos cuidados de saúde primários do sistema ocular e visual que prestam cuidados completos em termos de saúde ocular, que incluem refracção e prescrição, detecção e diagnóstico, e ainda gestão das doenças doe olhos, bem como reabilitação das afecções do sistema visual. Um optometrista terá, no mínimo, uma licenciatura ou equivalente de uma instituição de ensino de nível terciário e é categorizado no modelo mundial baseado nas competências no âmbito da prática em Optometria*, que inclui serviços de tecnologia óptica, serviços de função e visual e investigação, examinação e avaliação do olho e dos anexos oculares, e dos factores sistémicos associados para detectar, diagnosticar e tratar a doença. Todos os restantes quadros formais ou informais que se enquadrem abaixo deste nível (p. ex., técnicos optometristas, oculistas, refraccionistas) não podem auto-intitular-se optometristas. https://worldcouncilofoptometry.info/wp-content/uploads/2017/03/wco_global_competency_model_2015.pdf 8 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana 2.3 Organização da equipa de saúde ocular A equipa de saúde ocular trabalha de uma forma independente, sendo atribuídos papéis estratégicos a cada membro, como indicado na Figura 2. Os três grupos de profissionais de saúde ocular considerados neste documento: oftalmologistas, optometristas e outros profissionais de saúde ocular (profissionais de enfermagem e paramédicos) exercem a sua actividade com um elevado grau de autonomia, tal como designado pela Classificação Internacional das Profissões (CITP-08) (21). Os prestadores generalistas de cuidados de saúde aos níveis comunitário e dos cuidados de saúde primários também são um valioso complemento para a equipa, mas não são aqui incluídos. Figura 2: Organização da equipa de saúde ocular; categorias e códigos da Classificação Internacional das Profissões (CITP-08). As partes a sombreado indicam os profissionais de saúde ocular a quem este documento diz respeito. Equipa de saúde ocular (Classificação CITP-08) Prestadores generalistas de cuidados de saúde (competências de saúde ocular incluídas na formação geral) Profissionais especializados de saúde ocular (formação especializada ou avançada em saúde ocular) De base comunitária Com base na unidadesanitária Com base na unidade sanitária Outros profissionais de saúde ocular Trabalhadores comunitários de saúde (3253) Trabalhadores de saúde da linha da frente & Prestadores de cuidados de saúde primários Assistentes (Oftálmicos) (Assistentes médicos 3256) Enfermeiros (Oftálmicos) (Profissionais de enfermagem 2221) Técnicos médios de oftalmologia etc. (Paramédicos 2240) Optometristas (2267) Oftalmologistas (Médicos especialistas 2212) (Figura de Renée du Toit em nome do grupo de trabalho de recursos humanos para a saúde ocular da IAPB) CAPÍTULO 3 Funções da Força de Trabalho de Saúde Ocular 10 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana 3 No desenvolvimento das funções e competências, este documento incide nas três grandes grupos de profissionais de saúde ocular da equipa e em quem trabalha de uma forma maioritariamente autónoma: oftalmologistas, optometristas e OPO - categorias de paramédicos e enfermeiros profissionais do CITP-08 3.1 Introdução Os grupos de trabalho de recursos humanos do IAPB para a saúde ocular identificaram o CanMEDS, um quadro de ensino e prática médica, como adequado para ser adaptado com vista a produzir os domínios para organizar as competências de saúde ocular. No final do processo, as sete funções do CanMEDS tinham sido alargados a para 10. As funções dos três grupos de profissionais de saúde ocular da equipa de saúde ocular3 foram divididos de uma forma geral em (a) domínios técnicos ou clínicos e (b) domínios não técnicos. Normalmente, os domínios não clínicos (também chamados domínios de colaboração) são comuns aos diferentes quadros (Figura 3). A sobreposição indica que esses aspectos das funções também são partilhados. Por exemplo, muitos dos aspectos do “comunicador” são pertinentes para ambas as funções clínicas e não clínicas (p. ex., usar linguagem clara e não técnica para explicar as opções de tratamento a um doente (clínico) ou quando se faz advocacia (não clínico). Os prestadores de cuidados de saúde ocular competentes integram as competências de todas as funções no exercício da sua actividade (25). Figura 3: Domínios da equipa de saúde ocular: clínicos e comuns ou não clínicos partilhados 3.2 Competências técnicas ou clínicas, comuns vs únicas A equipa de saúde ocular pode também partilhar algumas competências clínicas ou técnicas (competências técnicas ou clínicas comuns); no entanto, as competências podem ser exclusivas de um dado grupo, diferenciando assim o trabalho de um grupo do trabalho de outro grupo (Figura 4). 3.2.1 Competências técnicas ou clínicas “comuns” Competências técnicas ou clínicas “comuns” ou partilhadas são as que se esperam de todos os profissionais da equipa de saúde ocular, p. ex., tomar nota da história clínica do doente. Estas também podem ser vistas como as competências que são comuns ou que se sobrepõem a mais do que uma profissão de saúde ocular, mas não necessariamente a todas as profissões de saúde ocular. No Reino Unido, as sobreposições de competências foram usadas como uma estratégia para utilizar os profissionais da equipa (não clínicos) de forma mais eficaz possível, como os optometristas, os ortoptistas e os enfermeiros oftálmicos. As competências partilhadas ou comuns da equipa não médica de saúde ocular estão elencadas nos três níveis de autonomia: • Capacidade para desempenhar trabalho clínico que auxilia a tomada de decisões médicas • Capacidade de seguir um protocolo com delegação claramente definida da tomada de decisões • Capacidade para tomar decisões de forma independente com o apoio adequado sto permite ao pessoal não médico da equipa de saúde ocular, com base no seu nível de competência, assumir funções alargadas para ajudar a gerir a procura e prestar cuidados seguros e eficazes aos doentes. Esta é a fundamentação para a transferência ou partilha de tarefas (26, 27). Domínios técnicos/clínicos • Cuidados não cirúrgicos • Cuidados cirúrgicos • Cuidados de prevenção e promoção da saúde • Cuidados paliativos e de reabilitação Domínios comuns não clínicos de colaboração • Comunicador • Líder/Gestor • Promotor de Saúde • Praticante Comunitário • Académico/Investigador/ Professor/Mentor/Formandoao longo da vida • Profissional Região Africana da OMS | 11 3.3.2 Competências “complementares” exclusivas, técnicas ou clínicas Competências “complementares” exclusivas e clínicas distinguem uma profissão de outra e complementam as competências de outras profissões. Estas competências profissionais individuais baseiam-se nos aspectos únicos de uma prática profissional e no conjunto de conhecimentos, competências, atitudes e julgamentos exclusivos a uma dada profissão. Os oftalmologistas e os optometristas, por exemplo, possuem conhecimentos especializados únicos em termos de competências cirúrgicas e de cuidados refractivos, respectivamente. Do mesmo modo, as competências cirúrgicas avançadas dos oftalmologistas permitem-lhes fazer a gestão de casos complexos e complementar as competências cirúrgicas básicas de um cirurgião de catarata. Estas competências clínicas únicas diferenciam uma profissão da outra. Figura 4: Competências não clínicas comuns e competências clínicas que são comuns ou exclusivas dos grupos de profissionais de saúde ocular 3.3 Domínios técnicos ou clínicos A função técnica ou clínica da equipa de saúde ocular é prestar cuidados completos de saúde ocular que englobem cuidados curativos (avaliação e tratamento), cuidados paliativos e de reabilitação, cuidados de prevenção, promoção contínua da saúde e cuidados centrados nas pessoas que sejam seguros e de elevada qualidade. 3.3.1. Cuidados não cirúrgicos Enquanto prestadores de cuidados curativos, a equipa de saúde ocular procura obter a história clínica, examina o doente, selecciona os exames adequados a realizar, sintetiza e interpreta os resultados para informar o diagnóstico; a seguir, dá aconselhamento sobre o manejo da afecção em colaboração com o doente e a sua família, assim como com outros prestadores de cuidados de saúde, dependendo do contexto. 3.3.2 Cuidados cirúrgicos A equipa de saúde ocular presta informações e aconselhamento sobre cirurgia ocular e ajuda os doentes a terem acesso a serviços de rastreio, de cirurgia segura e de elevada qualidade e serviços de seguimento. A equipa obtém consentimento para procedimentos invasivos, assegura os cuidados apropriados ao doente e toma medidas de controlo da infecção nas fases pré, peri e pós-operatórias. 3.3.3 Cuidados de prevenção e promoção da saúde A equipa de saúde ocular aconselha os doentes e as suas famílias e dão informações para apoiar as pessoas a contribuírem e a aderirem a planos de gestão, promoção da saúde ocular, utilização de serviços de saúde e serviços sociais, promoção de comportamentos saudáveis e prevenção ou redução dos danos resultantes das doenças oculares. 3.3.4 Cuidados paliativos e de reabilitação A equipa de saúde ocular ajuda a criar ligações para um ambiente inclusivo e favorável. Também facilita o acesso à reabilitação e aos cuidados para a baixa visão, incluindo produtos auxiliares não ópticos para optimizar o uso da visão remanescente. Por último, a equipa de saúde ocular ajuda a criar ligações aos serviços para aqueles que são portadores de uma deficiência visual irreversível. Para além de tudo isto, também proporciona uma abordagem interprofissional e multidisciplinar à resolução de problemas para as pessoas com doenças que encurtam a sua vida, para melhorar a qualidade de vida do doente e da sua família. Competências não clínicas comuns Competências clínicas exclusivas a optometristas Competências clínicas exclusivas a outros profissionais de saude ocular Competências clínicas exclusivas a oftalmologistas 12 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana 3.4 Outros domínios comuns não clínicos de colaboração Os domínios comuns ou de colaboração da equipa de saúde ocular são aqueles que são partilhados com os três grupos e que apoiam o trabalho de equipa, a implementação das funções técnicas ou clínicas e a prática interprofissional ou de colaboração. Estes incluem as funções desempenhadas nas Secções 3.4.1 a 3.4.6. 3.4.1 Comunicador É o membro da equipa de saúde ocular que utiliza os métodos mais eficazes de comunicação para obter, discutir e partilhar informações com os doentes, as suas famílias e todos os que estão envolvidos nos cuidados ao doente. Isto permite às pessoas, famílias e comunidades tomarem decisões saudáveis e tornarem-se parceiros da sua própria saúde. O objectivo também passa por compreender a situação e as expectativas do doentes, satisfazer as suas necessidades em saúde ocular e partilhar com eles informações para a tomada de decisões e a definição de metas. 3.4.2 Líder e gestor Os membros da equipa trabalham eficazmente entre si, incluindo com os parceiros e todos os demais envolvidos na sua gestão, tais como os profissionais de saúde ocular, outros prestadores de serviços, parceiros comunitários e outros do sistema de saúde. O objectivo é desenvolver relações baseadas na confiança, no respeito e na partilha da tomada de decisões em equipa e entre equipas multidisciplinares, proporcionando, assim, uma ampla liderança no contexto da saúde e do desenvolvimento social. Enquanto gestor, este membro da equipa dirige o trabalho dos colegas que com ele/ela trabalham e apoia e motiva-os a criarem um ambiente de trabalho saudável e profissional. O objectivo último de gestão é que todos os membros da equipa tenham um desempenho elevado. Além disso, este membro da equipa planifica e trabalha de forma eficiente para prestar cuidados de saúde ocular, usando os recursos humanos e financeiros disponíveis. 3.4.3 Promotor de Saúde The eye health team members are expected to advocate, in partnership with the community, for increased resources, including workforce allocation for eye health at different levels. 3.4.4 Praticante Comunitário Os membros da equipa de saúde ocular deverão trabalhar com a comunidade para determinar e entender os determinantes da saúde no ambiente físico e social, as necessidades da comunidade e os potenciais mecanismos necessários para melhorar os mesmos. O objectivo aqui é fomentar as boas práticas de saúde, desencorajar as práticas prejudiciais e capacitar os membros para tirarem partido dos seus próprios recursos e terem acesso a outros recursos que estejam disponíveis. 3.4.5 Académico/Investigador/Professor/Mentor/Formando ao longo da vida O membro da equipa deverá demonstrar um compromisso ao longo da vida com a excelência na prática, através da recolha de informação, avaliação e uso das evidências, avaliação contínua do processos e dos resultados do seu trabalho e do das equipas nas quais trabalha, partilhando e comparando o seu trabalho com o dos outros e procurando activamente obter feedback. Há também a expectativa de que o membro da equipa possa ajudar os doentes e as suas famílias a autogerir a sua saúde, oferecendo formação e supervisão de apoio a outros trabalhadores da saúde. Para melhorar o desempenho, espera-se que o membro da equipa mantenha um desenvolvimento pessoal contínuo. O objectivo geral é utilizar múltiplas formas de aprendizagem contínua para melhorar permanentemente a qualidade dos serviços, aumentar a capacidade de resposta ao doente e, em última instância, alcançar a cobertura universal de saúde. 3.4.6 Profissional O membro da equipa de saúde ocular deverá demonstrar resposabilidade perante os doentes, a sociedade, para com a profissão e consigo mesmo através de uma conduta ética, respeito pelos direitos dos outros, e ainda um elevado padrão de comportamento pessoal. Tudo isto indica a necessidade de haver dedicação à profissão, compromisso com o bem público, adesão aos padrões deontológicos e a valores como a integridade, a honestidade, o altruísmo e o respeito pela diversidade, e ainda a transparência no que toca a potenciais conflitos de interesses. O objectivo é melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas e das populações. CAPÍTULO 4 Competências para Oftalmologistass 14 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Quadro 3: Competências essenciais para um oftalmologista COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS PARA UM OFTALMOLOGISTA Domínio Declaração de competência Competência Cuidados não cirúrgicos Examina o doente 1. Obtêm com rigor a histórica clínica do doente. 2. Examina integralmente o doente. Sintetiza a informação para determinar o diagnóstico 3. Faz um diagnóstico clínico baseado na informação obtida do doente. Formula e implementa planos de tratamento adequados 4. Planifica o tratamento juntamente com o doente ou tutor ou com outros profissionais de saúde, a partir da informação disponível. 5. Identifica e maneja as emergências e os traumatismos de natureza oftalmológica. 6. Encaminha os doentes, conforme apropriado. 7. Gere com rigor e em segurança a informação sanitária. Cuidados cirúrgicos Realiza procedimentos cirúrgicos seguros 8. Realiza procedimentos cirúrgicos seguros de elevada qualidade. 9. Mantém proficiência nos procedimentos cirúrgicos standardizados. Cuidados de prevenção e promoção da saúde Promove a saúde para preservar e optimizar a saúde ocular 10. Aconselha os doentes e a sua família sobre os aspectos da sua saúde ocular. 11. Educa os doentes e o público a respeito de boas práticas de saúde. 12. Presta aconselhamento e educa os empregadores e empregados acerca de saúde ocular e de medidas de protecção no local de trabalho e em diferentes contextos sociai.s Cuidados paliativos e de reabilitação Facilita o acesso a cuidados completos e à inclusão social 13. Facilita o acesso à : reabilitação visual , reabilitação dos cegos , recursos sociais e educativos, e efectua reavaliações periódicas. 14. Facilita o acesso a cuidados paliativos, seguindo uma abordagem de equipa multidisciplinar. Região Africana da OMS | 15 Quadro 4: Componentes das competências para um oftalmologista e conhecimentos, aptidões e comportamentos relacionados DOMÍNIO 1. CUIDADOS NÃO CIRÚRGICOS: Avaliação, diagnóstico e tratamento clínico Competência Conhecimentos, aptidões e comportamentos Obtém com rigor a histórica clínica do doente Conhecimentos: Informação geral, incluindo manifestações clínicas e epidemiologia de todas as doenças oculares, manifestações oculares de outras doenças sistémicas; conceitos básicos e capacidade de comunicação Aptidões: Obter informação pertinente para identificar o problema clínico do doente Comportamentos: Comunicação eficaz com os doentes, tutor, membros da família e outros prestadores de cuidados de saúde Examina integralmente o doente Conhecimentos: Anatomia e fisiologia funcional do sistema ocular; manifestações clínicas de doenças oculares e sistémicas comuns e o uso de procedimentos adequados de diagnóstico Aptidões: Avaliar os sistemas ocular, sistémico e visual Comportamentos: Usa meios adequados de diagnóstico de forma competente para efectuar avaliações completas Faz um diagnóstico clínico baseado na informação obtida do doente Conhecimentos: Ciências médicas oftálmicas gerais, incluindo anatomia ocular normal; histologia, embriologia, fisiologia, microbiologia, farmacologia, bioquímica, refracção e genética; oftalmologia clínica: princípios, prática e manifestações clínicas Aptidões: Fazer diagnósticos usando a história clínica obtida e os achados do exame físico; pensar de forma crítica com base na informação recolhida Comportamentos: Demonstra capacidade para sintetizar os dados e a informação da história clínica, do exame físico e da investigação clínica; usa as conclusões de forma sistemática para fazer diagnósticos clínicos Planifica o tratamento juntamente com o doente ou com quem tiver a sua guarda, ou com outros profissionais de saúde, a partir da informação disponível Conhecimentos: Determina as diferentes opções disponíveis para as intervenções (médica, cirúrgica ou óptica, etc.) para resolver um o problema identificado e faz o seguimento dos resultados Aptidões: Identificar a intervenção ou o plano de tratamento mais adequados para o doente Comportamentos: Comunica as opções de tratamento para permitir ao doente tomar uma decisão informada Identifica e gere as emergências e os traumatismos de natureza oftalmológica Conhecimentos: Possui bons conhecimentos em emergências de medicina geral e em emergências oftálmicas e traumatismos oculares Aptidões: Identificar emergências gerais e oftálmicas; fazer o manejo das emergências oftálmicas (médicas e cirúrgicas); encaminhar os doentes e envolver outros especialistas Comportamentos: Utiliza um parecer clínico e uma avaliação com sentido crítico na tomada de decisões; Identifica e maneja os casos com sentido de urgência; Garante que os serviços estejam sempre disponíveis para o manejo das emergências Encaminha os doentes, conforme apropriado Conhecimentos: Está familiarizado com o campo geral de acção da oftalmologia e com as limitações e funções de outros profissionais de saúde. Aptidões: Identificar os doentes que necessitam de uma avaliação e tratamento adicionais Comportamentos: Demonstra capacidade para colaborar com outros profissionais de saúde e peritos clínicos, e com pessoas de diferentes sectores da saúde e não só; sabe trabalhar em equipa 16 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana DOMÍNIO 1. CUIDADOS NÃO CIRÚRGICOS: Avaliação, diagnóstico e tratamento clínico Gere com rigor e em segurança a informação sanitária Conhecimentos: Cumpre os requisitos deontológicos e legislativos para obter, registar, guardar, manter e destruir os registos dos doentes e outra documentação administrativa; possui conhecimento do sistema de informação e sobre como analisar a informação Aptidões: Registar a informação e os dados dos doentes de forma legível, segura, acessível, permanente e inequívoca; utilizar registos electrónicos Comportamentos: Mantém a confidencialidade dos registos dos doentes DOMÍNIO 2. CUIDADOS CIRÚRGICOS: Realização de procedimentos cirúrgicos seguros Realiza procedimentos cirúrgicos seguros e de elevada qualidade Conhecimentos: Diferentes opções cirúrgicas para as afecções gerais e comuns dos olhos (Anexo VI(a)), incluindo as emergências; indicações para determinados procedimentos (cirurgias) e alternativas; descrição de um procedimento de uma forma sistemática (incluindo dar explicações passo-a-passo); conhecimento de diferentes abordagens e gestão pós-cirurgia, incluindo quaisquer complicações antecipadas; competência no seguimento, incluindo o encaminhamento/ referência, se necessário Aptidões: Preparar os doentes clinica e psicologicamente para procedimentos específicos; realizar procedimentos cirúrgicos standardizados (Anexo VI(a)) Comportamentos: Participa na avaliação dos doentes; observa e assiste os colegas mais experientes na execução dos procedimentos; aceita ser supervisionado por colegas mais experientes; aconselha os doentes acerca dos procedimentos; é competente em todos os procedimentos cirúrgicos standardizados; recolhe e regista dados; é competente no uso do equipamento e instrumentos disponíveis; mostra adequadamente os procedimentos e protocolos standardizados a utilizar nas cirurgias, para consulta rápida. Mantém a competência em todos os procedimentos cirúrgicos Conhecimentos: É competente em todos os procedimentos cirúrgicos; conhece a função de auditoria clínica Aptidões: Desenvolver e manter competência em todas as técnicas cirúrgicas; procurar actualizar as competências pessoais através de auto-aprendizagem em novos procedimentos (CPD); realizar todos os procedimentos cirúrgicos no seu âmbito de aplicação (Vide Anexo VI(a)) Comportamentos: Sabe efectuar auto-auditorias; pode participar em actividades e formação estruturadas em laboratório experimental; sabe usar simuladores e trabalhar no laboratório experimental. Região Africana da OMS | 17 DOMÍNIO 3. CUIDADOS DE PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE: Promoçãoda saúde para preservar e optimizar a saúde ocular Aconselha os doentes e as suas famílias acerca dos aspectos da sua saúde ocular Conhecimentos: Competente em epidemiologia e na história natural das doenças oculares comuns na Região, incluindo os resultados decorrentes de se procurar o tratamento precoce; identifica as crenças e práticas culturais em torno dos problemas de saúde ocular Aptidões: Remover as barreiras à comunicação; comunicar eficazmente com as comunidades e os doentes para incentivar comportamentos saudáveis e a adesão ao tratamento Comportamentos: Demonstra uma atitude amigável e sem fazer juízos de valor, reconhecendo as diferenças socioculturais e entre os doentes Educa os doentes e o público a respeito de boas práticas de saúde Conhecimentos: Competente nos princípios básicos da educação e de promoção de práticas saudáveis, p. ex., higiene, vacinação e nutrição Aptidões: Comunicar eficazmente os benefícios das boas práticas de saúde, evitando as práticas tradicionais prejudiciais Comportamentos: Demonstra bons hábitos de saúde Presta aconselhamento e educa os empregadores e empregados acerca de saúde ocular e de medidas de protecção no local de trabalho e em diferentes contextos sociais Conhecimentos: Domina a área da saúde ocupacional e ambiental, da protecção ocular, da visão e da ergonomia Aptidões: Melhorar o ambiente no local de trabalho e preocupação com o uso de equipamento de protecção dos olhos Comportamentos: Dá apoio, é respeitador e proactivo na prevenção das lesões oculares no local de trabalho e nos diferentes ambientes sociais DOMÍNIO 4. CUIDADOS PALIATIVOS E DE REABILITAÇÃO: Facilitação do acesso a cuidados completos e à inclusão social Facilita o acesso à reabilitação visual, à reabilitação dos cegos e a recursos sociais e educativos, e efectua ainda reavaliações periódicas Conhecimentos: Domínio dos princípios da baixa visão e da reabilitação das pessoas portadores de deficiência visual e dos cegos. Aptidões: Identificar os doentes que necessitam de serviços e reabilitação para a baixa visão. Comportamentos: Apoia soluções para melhorar a qualidade de vida dos doentes com baixa visão em diferentes circunstâncias; encaminha os doentes para os serviços adequados e reavalia-os periodicamente Facilita o acesso a cuidados paliativos através de uma abordagem de equipa multidisciplinar Conhecimentos: É competente em medicina, oftalmologia e oncologia Aptidões: Trabalhar em equipa e comunicar eficazmente Comportamentos: Demonstra empatia 18 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana CAPÍTULO 5 Competências para Optometristas 20 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Quadro 5: Competências essenciais para um optometrista COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS PARA UM OPTOMETRISTA Domínio Declaração de competência Competência Cuidados não cirúrgicos Obtém a história clínica relevante do doente Faz observações gerais dos doentes Obtém a história clínica Examina integralmente o doente Formula planos de exames Implementa planos de exames Avalia o olho e os anexos oculares Avalia a função visual sensorial central e periférica e a integridade das vias visuais Avalia o estado de refracção Avalia a função oculomotora e binocular Avalia o processamento da informação visual Avalia o significado dos sintomas e sinais considerados incidentais para o exame ocular em relação aos olhos ou à saúde geral do doente Sintetiza a informação para determinar o diagnóstico Interpreta e analisa os achados para estabelecero diagnóstico Formula planos de tratamento adequados Concebe planos de tratamento para doentes e implementa os planos acordados com os doentes Prescreve óculos Prescreve lentes de contacto Trata dos doentes que precisam de terapia visual Trata das doenças e traumatismos oculares usando regimes de tratamento farmacológicos adequados no âmbito de aplicação permitido ou encaminha/ refere os doentes, conforme seja apropriado Prescreve receitas de produtos ópticos com rigor Assegura-se de que estão disponíveis cuidados optométricos de emergência Gere com rigor e em segurança a informação sanitária Cuidados cirúrgicos Presta apoio aos oftalmologistas no manejo do doente em pré e pós- operatório Identifica os doentes que requerem tratamento cirúrgico e encaminha-os adequadamente Realiza avaliação pré e pós-operatória e faz observações em colaboração com um cirurgião Efectua refracção objectiva no bloco operatório Cuidados de prevenção e promoção da saúde Promove a saúde para preservar e optimizar a saúde ocular Utiliza os recursos disponíveis para melhorar os resultados do doente Presta aconselhamento sobre a visão e a saúde ocular e toma medidas de protecção no local de trabalho e no ambiente social Cuidados paliativos e de reabilitação Facilita o acesso a serviços de baixa visão, reabilitação e inclusão social Presta cuidados aos doentes com necessidades Especiais Prescreve dispositivos para a visão subnormal e intervençõesnão ópticas Região Africana da OMS | 21 Quadro 6: Componentes das competências para um optometrista DOMÍNIO 1. CUIDADOS NÃO CIRÚRGICOS: Avaliação, diagnóstico e tratamento clínico Competência Conhecimentos, aptidões e comportamentos Faz observações gerais dos doentes Conhecimentos: Competência nos fundamentos da anatomia geral do corpo humano e nos aspectos normais do andar e da postura. Aptidões: Observar, reconhecer e explorar as características físicas e comportamentais pertinentes dos doentes Comportamentos: É observador, perspicaz e investigador Obtém a história clínica Conhecimentos: Profundo conhecimento das ciências biomédicas, da visão e clínicas; optometria clínica, oftalmologia clínica relevante, problemas comuns encontrados na prestação de cuidados de saúde, com ênfase nas manifestações oculares Aptidões: Remover as barreiras à comunicação; obter a história clínica pertinente dos doentes Comportamentos: Evidencia bom relacionamento interpessoal e compreensão; é um ouvinte activo e demonstra empatia Formula planos de exames Conhecimentos: Profundo conhecimento das ciências biomédicas, da visão e clínicas; de optometria clínica, oftalmologia clínica relevante, problemas comuns encontrados na prestação de cuidados de saúde, com ênfase nas manifestações oculares Aptidões: Organizar e interpretar a informação; realizar avaliações selectivas ou orientadas e exames de diagnóstico Comportamentos: É analítico e usa pensamento crítico; é flexível Implementa planos de exames Conhecimentos: Possui um conhecimento geral dos sistema de saúde ocular; optometria clínica; oftalmologia clínica relevante; avaliações e procedimentos optométricos clínicos estruturados Aptidões: Realizar exames e procedimentos oftálmicos e optométricos clínicos; estar familiarizado com as precauções-padrão Comportamentos: É competente, tem confiança e demonstra segurança na utilização das ferramentas disponíveis para realizar exames Avalia o olho e os anexos oculares Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento da anatomia e fisiologia humana e ocular geral; das funções do anexo ocular e de farmacologia ocular pertinente Aptidões: Ser capaz de avaliar a estrutura anatómica externa do olho e o seu funcionamento Comportamentos: É observador, demonstra um claro entendimento das estruturas que são normais por oposição às anormais; é sensível às diferenças culturais 22 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana DOMÍNIO 1. CUIDADOS NÃO CIRÚRGICOS: Avaliação, diagnóstico e tratamento clínico Competência Conhecimentos, aptidões e comportamentos Avalia a função visual sensorial central e periférica e a integridade das vias visuais Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas e (neuro) visuais; possui um entendimento geral dos sistemas de saúde ocular, optometria clínica, oftalmologia clínica relevante e procedimentos optométricos clínicos Aptidões: Saber testar integralmente as funções visuais Comportamentos: É competente para realizar diversas avaliações optométricas com confiança; é analítico na interpretação dos resultados dos exames Avalia o estado refractivo Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas e (neuro) visuais; possui um entendimento geral dos sistemas de saúde ocular, optometria clínica, oftalmologia clínica relevante e procedimentos optométricos clínicos; farmacologia ocular e de diagnóstico Aptidões: Ser competente para determinar o estado refractivo do olho (subjectiva e objectivamente); saber utilizar agentes farmacológicos para estabelecer o estado refractivo Comportamentos: É competente no uso de ferramentas para realizar exames de refracção, p. ex., retinoscópios, oftalmoscópios, barras de refracção e auto refractómetro Avalia a função oculomotora e binocular Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas, visuais e das ciências clínicas; possui um entendimento geral dos sistemas de saúde ocular; optometria clínica, oftalmologia clínica relevante e procedimentos optométricos clínicos Aptidões: Ser competente para identificar funções oculomotoras anormais e realizar avaliações ortópticas; ter competência para testar a visão binocular Comportamentos: É analítico na interpretação dos resultados dos exames; é competente, tem confiança, é adaptável e sensível do ponto de vista cultural Avalia o processamento da informação visual Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas e (neuro) visuais; possui um entendimento geral dos sistemas de saúde ocular, optometria clínica, oftalmologia clínica relevante e procedimentos optométricos clínicos, processamento da função visual, marcos de desenvolvimento e problemas de aprendizagem; está familiarizado com fusão de imagens, visão binocular e estereopsia. Aptidões: Capaz de utilizar ferramentas de avaliação do processamento visual Comportamentos: É competente no uso de diferentes ferramentas; é observador e analítico Região Africana da OMS | 23 DOMÍNIO 1. CUIDADOS NÃO CIRÚRGICOS: Avaliação, diagnóstico e tratamento clínico Competência Conhecimentos, aptidões e comportamentos Avalia o significado dos sintomas e sinais considerados incidentais para os exames oculares relativamente à saúde ocular ou geral do doente* Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas, visuais e clínicas; possui um entendimento geral dos sistemas de saúde ocular, optometria clínica, oftalmologia clínica relevante, procedimentos optométricos clínicos e doenças sistémicas comuns Aptidões: Ser capaz de reconhecer e agir perante achados clinicos incidentais Comportamentos: É analítico e exerce um pensamento crítico; é flexível Interpreta e analisa os achados para estabelecer o diagnóstico Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas e visuais; possui um entendimento geral dos sistemas de saúde ocular, optometria clínica, oftalmologia clínica relevante e procedimentos optométricos clínicos Aptidões: Ser capaz de analisar, sintetizar e correlacionar os achados clínicos Comportamentos: É capaz de analisar, reflectir e usar as conclusões e os diagnósticos clínicos Concebe planos de tratamento para doentes e implementa os planos acordados com os doentes Conhecimentos: Conhece as intervenções clínicas e as opções de tratamento disponíveis; está familiarizado com o curso e o prognóstico das afecções; segue as melhores práticas Aptidões: Ser capaz de formular planos de tratamento adequados centrados no doente Comportamentos: Usa raciocínio dedutivo; é orientado para os problemas; exerce um parecer clínico; comunica bem com os doentes e as suas famílias Prescreve óculos Conhecimentos: Possui um conhecimento aprofundado sobre refracção e as ciências visuais; está familiarizado com as modalidades de conversão refractiva, estado binocular, indicações e filosofias de prescrição, modalidade e ajustamentos de dispositivos e lentes Aptidões: Ser capaz de determinar prescrições ópticas com base nas necessidades individuais dos doentes Comportamentos: É compreensivo, têm empatia, dá apoio, é flexível, sensível do ponto de vista cultural e respeitoso; ajuda os doentes na utilização de óculos Prescreve lentes de contacto * Conhecimentos: Possui um conhecimento aprofundado sobre refracção, estado binocular, indicações e filosofias de prescrição, ciências visuais e de optometria clínica, modalidades de lentes de contacto, contra-indicações, manutenção e complicações Aptidões: Ser capaz de determinar com exactidão a adaptação e a modalidade das lentes de contacto, com base no estado e nas necessidades visuais de cada doente Comportamentos: É compreensivo, têm empatia, dá apoio, é flexível, sensível do ponto de vista cultural e respeitoso; ajuda os doentes no uso de lentes de contacto 24 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana DOMÍNIO 1. CUIDADOS NÃO CIRÚRGICOS: Avaliação, diagnóstico e tratamento clínico Competência Conhecimentos, aptidões e comportamentos Trata dos doentes que precisam de terapia visual * Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas e visuais; possui um entendimento geral do sistema de saúde ocular, optometria clínica, oftalmologia clínica relevante, procedimentos optométricos clínicos e visão oculomotora e binocular; está familiarizado com diferentes abordagens à terapia visual. Aptidões: Ser capaz de tratar anomalias de visão binocular usando terapia visual Comportamentos: É capaz de avaliar e analisar as situações com sentido crítico; usar raciocínio dedutivo e fazer pareceres clínicos; é capaz de dar apoio aos doentes para optimizar a visão residual; consegue disponibilizar terapia visual Trata das doenças e traumatismos oculares usando regimes de tratamento farmacológicos adequados no âmbito de aplicação permitido ou encaminha os doentes Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas e visuais; possui um entendimento geral do sistema de saúde ocular, optometria clínica, oftalmologia clínica relevante e procedimentos optométricos clínicos, farmacologia, farmacologia terapêutica, anatomia básica e fisiologia do olho Aptidões: Ser capaz de seleccionar agentes farmacológicos para o tratamento das afecções no âmbito da prática clínica (Anexo VI(b)) Comportamentos: É capaz de avaliar e analisar as situações com sentido crítico; usa raciocínio dedutivo; faz pareceres clínicos; é criativo em matéria de tratamento e sempre pronto para fazer o encaminhamento; é capaz de fazer auto-avaliação; tem confiança e reconhece as limitações pessoais e jurídicas Prescreve receitas de produtos ópticos com rigor Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento dos princípios da visão e do estado refractivo, óptica oftálmica, características dos óculos e da anatomia da cabeça e do pescoço; está familiarizado com ergonomia visual básica Aptidões: Ser capaz de interpretar a prescrição de óculos de acordo com as necessidades dos doentes; é competente para adequar os óculos Comportamentos: É compreensivo, demonstra empatia, dá apoio e tem confiança quando comunica Assegura-se de que estão disponíveis cuidados optométricos de emergência Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas e visuais; possui um conhecimento geral do sistema de saúde ocular, optometria clínica, oftalmologia clínica relevante e procedimentos optométricos clínicos; é capaz de fazer o manejo de emergências em matéria de optometria Aptidões: Ser capaz de planificar e organizar serviços optométricos de emergência; consegue identificar emergências de optometria e outras emergências médicas Comportamentos: Demonstra empatia com os doentes afectados; usa o tempo necessário; emprega uma abordagem de gestão flexível; comunica emergências de optometria; encaminha outras emergências médicas; é compreensivo, dá apoio, é flexível e sensível do ponto de vista cultural Região Africana da OMS | 25 DOMÍNIO 1. CUIDADOS NÃO CIRÚRGICOS: Avaliação, diagnóstico e tratamento clínico Competência Conhecimentos, aptidões e comportamentos Gere com rigor e em segurança a informação sanitária Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento dos requisitos deontológicos e legislativos para obter, registar, guardar, manter e destruir os registos dos doentes e outra documentação; é conhecedor dos sistemas de informação Aptidões: Ser capaz de registar a informação e os dados dos doentes de forma legível, segura, acessível, permanente e inequívoca, incluindo em formato electrónico Comportamentos: Mantém a confidencialidade dos registos dos doentes DOMÍNIO 2. CUIDADOS CIRÚRGICOS: Presta apoio aos oftalmologistas no manejo do doente em pré e pós-operatório. Competência Conhecimentos, aptidões e comportamentos Identifica os doentes que requerem tratamento cirúrgico e encaminha-os adequadamente Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas, visuais e clínicas; possui um entendimento geral do sistema de saúde ocular, de optometria clínica, oftalmologia clínica relevante, procedimentos optométricos clínicos e das opções cirúrgicas disponíveis Aptidões: Ser capaz de identificar e encaminhar os doentes que precisam de cirurgia Comportamentos: É capaz e fazer avaliações e análise com sentido crítico; irradia confiança e é adaptável; consegue tomar decisões; reconhece as limitações pessoais e jurídicas; trabalha em equipa Realiza avaliação pré e pós-operatória e faz observações em colaboração com um cirurgião Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas e visuais; possui um entendimento geral do sistema de saúde ocular, optometria clínica, oftalmologia clínica relevante, opções cirúrgicas disponíveis; consegue determinar indicações e requisitos pré-operatórios, e gere os resultados pós-operatórios Aptidões: Ser capaz de avaliar doentes seleccionados antes e depois dos procedimentos cirúrgicos; tomar precauções-padrão Comportamentos: É competente, tem confiança, é flexível e ético; consegue manter uma boa relação interprofissional Efectua refracção objectiva no bloco operatório Conhecimentos: Possui um conhecimento aprofundado sobre refracção e ciências visuais; possui conhecimentos de avaliação refractiva e modalidades de correcção; e de indicações e filosofias de prescrição Aptidões: Executar refracção objectiva para determinar o estado de refracção do doente e fazer a gestão adequada Comportamentos: Demonstra competência e confiança em refracção objectiva e subjectiva 26 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana DOMÍNIO 3. CUIDADOS DE PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE: Promover a saúde para preservar e optimizar a saúde ocular Competência Conhecimentos, aptidões e comportamentos Utiliza os recursos disponíveis para melhorar os resultados do doente Conhecimentos: Conhece as funções e os recursos disponíveis das organizações de optometria e outras; os papéis de organizações e organismos governamentais, tais como ministérios da saúde, autoridades de registo e associações profissionais Aptidões: Compreender e ser capaz de avaliar os recursos; conseguir avaliar a informação; compreender os sistemas locais de saúde e de saúde ocular Comportamentos: É compreensivo, dá apoio e é criativo; colabora com outros membros da equipa e com serviços transectoriais. Presta aconselhamento sobre a visão e a saúde ocular e toma medidas de protecção no local de trabalho e no ambiente social Conhecimentos: Possui um conhecimento aprofundado sobre refracção, ciências visuais, modalidade de correcção da refracção, estado binocular, optometria do trabalho e ambiental, ergonomia da protecção ocular e visual, normas da visão e ambientes favoráveis para os portadores de deficiência visual Aptidões: Melhorar o ambiente doméstico e institucional para maximizar a visão e o conforto Comportamentos: É compreensivo, tem empatia e dá apoio, é flexível, sensível do ponto de vista cultural e respeitoso; é proactivo na prevenção das lesões oculares no local de trabalho e nos diferentes ambientes sociais DOMÍNIO 4. CUIDADOS PALIATIVOS E DE REABILITAÇÃO: Contribui e facilita o acesso a serviços para a baixa visão, reabilitação e inclusão social Competência Conhecimentos, aptidões e comportamentos Presta cuidados aos doentes com necessidades especiais Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento das ciências biomédicas e visuais; possui um conhecimento geral do sistema de saúde ocular, optometria clínica, oftalmologia básica e procedimentos optométricos clínicos; está familiarizado com cuidados oculares inclusivos Aptidões: Ser capaz de identificar doentes com necessidades especiais Comportamentos: É compreensivo, tem empatia e dá apoio, tem confiança, é flexível e sensível do ponto de vista cultural, e respeitoso Prescreve dispositivos para a baixa visão e intervenções não ópticas Conhecimentos: Possui um excelente conhecimento de refracção, ciências visuais, classificação da deficiência visual e da baixa visão, opções de tratamento da baixa visão e dos indicadores para os serviços de reabilitação Aptidões: Realizar avaliações da baixa visão centradas no doente; comunicar as necessidades de baxa visão dos doentes; ser capaz de colaborar com outros intervenientes Comportamentos: É compreensivo, tem empatia e dá apoio, tem confiança, é flexível e sensível do ponto de vista cultural, respeitoso e ajuda os doentes com os dispositivos para a visão subnormal (Vide o Anexo VI(b)) * CAPÍTULO 6 Competências Essenciais para Outros profissionais de Saúde Ocular 28 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Os outros profissionais de saúde ocular desempenham funções variadas em diferentes países. Algumas das competências esperadas destes profissionais podem ser identificadas como competências clínicas ou de enfermagem, ou ambas. Os países podem definir quais os quadros que desempenham estas funções e seleccionar competências adequadas para os requisitos e estruturas de recursos humanos. Quadro 7: Competências Essenciais para Outros Profissionais de Saúde Ocular COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS PARA OUTROS PROFISSIONAIS DE SAÚDE OCULAR Domínio Declaração de competência Competência Cuidados não cirúrgicos Examina o doente 1. Cria um ambiente acolhedor e convivial para o doente 2. Obtém a história clínica relevante do doente 3. Realiza avaliação e investigações clínicas básicas ao doente Sintetiza a informação para determinar o diagnóstico 4. Faz diagnósticos com base na informação obtida do doente e nos conhecimentos em ciências clínicas oftálmicas Formula e implementa planos adequados de tratamento 5. Planifica o tratamento juntamente com o doente ou tutor , ou ainda com outros profissionais de saúde, a partir da informação disponível 6. Elabora planos adequados de tratamento e cuidados para os utentes oftálmicos 7. Administra medicação relevante para os cuidados oculares 8. Reconhece e encaminha os doentes conforme necessário 9. Gere com rigor e em segurança a informação sanitária Cuidados cirúrgicos Colabora com oftalmologistas na prestação de serviços cirúrgicos seguros 10. Identifica e avalia os doentes para cirurgia 11. Obtém consentimento para tratamentos e cirurgia 12. Prepara os doentes para procedimentos cirúrgicos e tratamento 13. Garante a prevenção das infecções; assegura que sejam observadas as técnicas assépticas 14. Auxilia à realização de cirurgia segura, facilitando a implementação das normas e das medidas de segurança 15. Administra anestesia local para cataratas, glaucoma e outros procedimentos intra-oculares 16. Realiza pequenas cirurgias (** Anexo VI(a)) 17. Realiza cirurgia de catarata segundo os seus níveis de competência (** Anexo VI(a)) 18. Trata das feridas oftálmicas 19. Elabora planos de tratamento para os cuidados oftálmicos dos doentes operados 20. Avalia e faz o manejo da dor 21. Faz o manejo e encaminha os casos de complicações pós-operatórias conforme apropriado Região Africana da OMS | 29 COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS PARA OUTROS PROFISSIONAIS DE SAÚDE OCULAR Domínio Declaração de competência Competência Cuidados de prevenção e promoção da saúde Promove a saúde para preservar e optimizar a saúde ocular 22. Presta aconselhamento aos doentes e a sua familia sobre os aspectos da sua saúde ocular 23. Educa os doentes e o público a respeito de boas práticas de saúde 24. Planifica e participa em actividades de promoção e educação sanitária na comunidade Cuidados paliativos e de reabilitação Facilita o acesso a cuidados completos e a inclusão social 25. Realiza avaliações básicas de baixa visão e ajuda os doentes na utilização de produtos auxiliares 26. Facilita e faz o seguimento do acesso à reabilitação e a inclusão social 27. Encaminha os doentes de forma adequada Quadro 8: Componentes das competências essenciais para outros profissionais de saúde Ocular DOMÍNIO 1. CUIDADOS NÃO CIRÚRGICOS: Avaliação, diagnóstico, tratamento e cuidados clínicos Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Cria um ambiente acolhedor e convivial para o doente Conhecimentos: Conhecimentos básicos do contexto cultural; manejo das doenças oculares comuns; procedimentos técnicos levados a cabo em diferentes níveis de cuidados e resultados esperados Aptidões: Usar eficazmente a informação pertinente para identificar os problemas clínicos dos doentes Comportamentos: Comunicação eficaz Obtém a história clínica relevante do doente Conhecimentos: Informação básica de epidemiologia e manifestações clínicas das doenças oculares comuns Aptidões: Usar eficazmente da informação pertinente para identificar os problemas clínicos dos doentes Comportamentos: Capacidades interpessoais e de comunicação; disponibilidade para discutir com os doentes ou tutor; interacção com a equipa de cuidados oculares; capacidade para ler comunicações ou falar com outros profissionais para melhorar as aptidões Realiza avaliação e investigações clínicas básicas ao doente Conhecimentos: Conhecimento do funcionamento anatómico e fisiológico geral do sistema ocular Aptidões: Usar ferramentas e equipamento adequado (incluindo ferramentas e equipamento de laboratório) para analisar o funcionamento anatómico e fisiológico geral dos sistemas ocular e visual Comportamentos: Avaliação e utilização de ferramentas e serviços laboratoriais adequados 30 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana DOMÍNIO 1. CUIDADOS NÃO CIRÚRGICOS: Avaliação, diagnóstico, tratamento e cuidados clínicos Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Faz diagnósticos com base na informação obtida do doente e nos conhecimentos em ciências clínicas oftálmicas Conhecimentos: Ciências médicas oftálmicas gerais, incluindo anatomia ocular normal; histologia, embriologia, fisiologia, microbiologia, farmacologia, bioquímica e refracção Aptidões: Capacidade para indicar um diagnóstico preliminar usando dados obtidos da avaliação e do conhecimento de ciências clínicas oftálmicas Comportamentos: Uso de dados clínicos, laboratoriais e outros para fazer diagnósticos Planifica o tratamento juntamente com o doente ou tutor , ou ainda com outros profissionais de saúde, a partir da informação disponível Conhecimentos: Avalia as opções de intervenções (médica, cirúrgica, óptica, etc.) onde estas podem ser realizadas e os resultados dos problemas identificados ou diagnósticos Aptidões: Identificar e administrar a melhor opção de tratamento para o doente Comportamentos: Analisa as opções e os resultados de tratamentos anteriores quando estão disponíveis Desenvolve planos de gestão e assistência adequados para pacientes médicos oftalmológicos Conhecimentos: Anatomia básica, fisiologia e patologia das doenças oculares; apresentações clínicas e tratamento (médico ou cirúrgico) de doenças oculares comuns Aptidões: Desenvolver e executar planos de tratamento e assistência de enfermagem para pacientes submetidos a atendimento oftalmológico médico e cirúrgico Comportamentos: Compartilhe planos de cuidados com a equipe de oftalmologia; garantir fluxo contínuo do paciente Administra medicação relevante para os cuidados oculares Conhecimentos: Sistema ocular básico: anatomia, fisiologia, microbiologia e farmacologia; princípios básicos essenciais de medicina; considerações práticas na administração de medicação oral, parenteral, gotas e pomadas, incluindo os efeitos adversos e as possíveis reacções alérgicas; armazenamento adequado de medicamentos Aptidões: Técnicas de administração correcta de medicamentos Comportamentos: Demonstra uma gestão segura e profissional de medicamentos e de outros produtos médicos; educa os doentes acerca do seu regime terapêutico, incluindo a auto-administração de medicamentos oculares e o seu armazenamento Reconhece e encaminha/ refere os doentes conforme necessário Conhecimentos: Âmbito da prática dos OPSO; as suas limitações; a função de outros profissionais de saúde; conhecimento das vias de encaminhamento/ referência no país Aptidões: Identificar quando as opções de tratamento não produzem os resultados optimizados devido ao âmbito limitado (competências do pessoal ou unidades de saúde); fazer triagem Comportamentos: Disponibilidade para colaborar com outros profissionais de saúde de alto nível (membros da equipa) ou peritos clínicos; trabalha em equipa de oftalmologia, incluindo serviços sociais e de educação Região Africana da OMS | 31 DOMÍNIO 1. CUIDADOS NÃO CIRÚRGICOS: Avaliação, diagnóstico, tratamento e cuidados clínicos Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Gere com rigor e em segurança a informação sanitária Conhecimentos: Requisitos deontológicos e legislativos para obter, registar, guardar, manter e destruir os registos dos doentes e outra documentação administrativa Aptidões: Ser capaz de registar a informação e os dados dos doentes de forma legível, segura, acessível, permanente e inequívoca, incluindo em formato electrónico Comportamentos: Mantém a confidencialidade dos registos dos doentes DOMÍNIO 2. CUIDADOS CIRÚRGICOS: Colabora com oftalmologistas na realização de cirurgia segura Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Identifica e avalia os doentes para cirurgia Conhecimentos: Está ciente das diferentes opções cirúrgicas para as afecções oculares comuns na Região e dos requisitos e critérios pré- operatórios para os diferentes procedimentos cirúrgicos Aptidões: Realizar avaliações pré-operatórias standardizadas para procedimentos cirúrgicos gerais e comuns; usar equipamento e ferramentas de diagnóstico para fazer a avaliação;prestar aconselhamento aos doentes sobre pormenores dos procedimentos cirúrgicos Comportamentos: Demonstra confiança nas avaliações clínicas e na comunicação; assegura o bom funcionamento de todo o equipamento necessário para a avaliação Obtém consentimento para tratamentos e cirurgia Conhecimentos: Conhecimentos dos procedimentos, os processos e os resultados de todos os tratamentos oftálmicos cirúrgicos e médicos e dos princípios deontológicos Aptidões:Aconselhar os doentes para os diferentes procedimentos oftálmicos; explicar aos doentes os processos e os resultados dos tratamentos Comportamentos: Demonstra boas capacidade de comunicação; ajuda os doentes a tomarem livremente decisões informadas e a darem o seu consentimento informado Prepara os doentes para procedimentos cirúrgicos ou tratamento Conhecimentos: Anatomia, fisiologia e patologia básica das doenças oculares; manifestações clínicas e tratamento (médico e cirúrgico) das doenças oculares comuns; princípios e práticas de cirurgia oftálmica; aspectos práticos da preparação pré-operatória em cirurgia oftálmica, incluindo a avaliação visual básica Aptidões: Preparar os doentes para procedimentos cirúrgicos ou tratamento Comportamentos: Ajuda e participa em todos os procedimentos cirúrgicos e médicos oftálmicos 32 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana DOMÍNIO 2. CUIDADOS CIRÚRGICOS: Colabora com oftalmologistas na realização de cirurgia segura Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Garante a prevenção das infecções e assegura que são observadas as técnicas assépticas Conhecimentos: Anatomia, fisiologia, microbiologia e farmacologia ocular básica; Princípios e prática de técnicas assépticas, incluindo a higiene das mãos; prevenção de infecções; estratégias de segurança, incluindo os diferentes processos de eliminação, descontaminação, desinfecção e esterilização Aptidões: Proporcionar um ambiente de trabalho esterilizado e seguro para a equipa de cuidados oculares; elaboração de listas de verificação de segurança cirúrgica Comportamentos: Prática de técnicas assépticas; eliminação segura dos resíduos; realização contínua de verificações de segurança durante e após a cirurgia; comunicação de resultados inesperados Auxilia à realização de cirurgia segura, facilitando a implementação das normas e das medidas de segurança Conhecimentos: Anatomia, embriologia e fisiologia do olho; diferentes opções cirúrgicas para as afecções gerais e comuns dos olhos; passos teóricos e práticos (descrições) nos diferentes procedimentos cirúrgicos; instrumentos e máquinas usadas para os diferentes procedimentos Aptidões: Avaliar a capacidade e a disponibilidade de procedimentos cirúrgicos específicos Comportamentos: Evidencia adequadamente para referência rápida os procedimentos e os protocolos standardizados a utilizar nas cirurgias; comunica resultados inesperados Administra anestesia local para cataratas, glaucoma e outros procedimentos intra- oculares Knowledge: Detailed anatomy of the eye orbit and its contents; pharmacology of available local anesthetics; critical risks and events Skills: Infiltrate local anesthetic solutions or instill topical anesthesia appropriately and safely; monitor patients during and after administration of local anaesthesia Behaviours: Confident while administering local anesthesia Realiza pequenas cirurgias (Realiza pequenas cirurgias VI(a)) Conhecimentos: Anatomia, embriologia, fisiologia e patologia pormenorizadas dos anexos oculares. Aptidões: Realizar pequenos procedimentos cirúrgicos extra-oculares Comportamentos: Demonstra competência em procedimentos extra- oculares Realiza cirurgia de catarata segundo os seus níveis de competência Conhecimentos: Anatomia, embriologia e fisiologia pormenorizadas do globo e da órbita (incluindo o cristalino); envelhecimento; complicações da cirurgia de catarata, incluindo opacidade capsular posterior Aptidões: Realizar cirurgia de catarata e fazer o manejo das complicações Comportamentos: Usa os laboratórios experimentais para manter e aperfeiçoar as suas competências; demonstra competência em cirurgia de catarata Região Africana da OMS | 33 DOMÍNIO 2. CUIDADOS CIRÚRGICOS: Colabora com oftalmologistas na realização de cirurgia segura Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Trata das feridas oftálmicas Conhecimentos: Anatomia, fisiologia, microbiologia e farmacologia ocular básica: prevenção das infecções; aspectos práticos da assepsia e do tratamento de feridas Aptidões: Capacidade de aplicar compressa e gaze nos olhos Comportamentos: Demonstra técnicas esterilizadas e adequadas durante o tratamento das perturbações da visão Elabora planos de tratamento para os cuidados oftálmicos dos doentes operados Conhecimentos: Anatomia, fisiologia e patologia básicas das doenças dos olhos; manifestações clínicas e tratamento (médico e cirúrgico) das doenças comuns dos olhos Aptidões: Elaborar e executar planos de tratamento e cuidados para os doentes submetidos a tratamentos a oculares médicos ou cirúrgicos Comportamentos: Partilha os planos de cuidados com a equipa de cuidados oculares; garante o fluxo contínuo dos doentes Avalia e faz o manejo da dor Conhecimentos: Causas da dor após diferentes procedimentos cirúrgicos; princípios o manejo da dor em oftalmologia após cirurgia Aptidões: Administrar e interpretar as escalas de avaliação da dor; fazer o manejo da dor Comportamentos: Reconhece, é solidário e faz o manejo da dor nos doentes Faz a gestão e encaminha os casos de complicações pós- operatórias conforme apropriado Conhecimentos: Possíveis complicações de diferentes procedimentos cirúrgicos; princípios de pequenas complicações oftalmológicas após a cirurgia; conhecimento dos sistemas de encaminhamento Aptidões: Fazer a gestão das pequenas complicações conforme apropriado; encaminhar os doentes Comportamentos: Reconhece e é solidário com os doentes; mostra disponibilidade para colaborar com outros profissionais de saúde de alto nível DOMÍNIO 3. CUIDADOS DE PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE: Promover a saúde para preservar e optimizar a saúde ocular Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Presta aconselhamento aos doentes e às suas famílias sobre os aspectos da sua saúde ocular Conhecimentos: História natural das doenças oculares comuns, incluindo os resultados decorrentes de se procurar tratamento precoce; crenças e práticas culturais em torno dos problemas de saúde ocular Aptidões: Aconselhar eficazmente os doentes e as famílias para incentivar comportamentos positivos de procura de serviços de saúde e de adesão ao tratamento; apoiar a autogestão do doente, sobretudo de pessoas em risco ou que exigem cuidados prolongados ou para a vida Comportamentos: Demonstra uma atitude amigável e sem fazer juízos de valor, reconhecendo as diferenças socioculturais e entre os doentes 34 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana DOMÍNIO 3. CUIDADOS DE PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE: Promover a saúde para preservar e optimizar a saúde ocular Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Educa os doentes e o público a respeito de boas práticas de saúde Conhecimentos: Competente nos princípios básicos da educação e de promoção de práticas saudáveis, p. ex., higiene, vacinação e nutrição Aptidões: Comunicar eficazmente os benefícios das boas práticas de saúde, evitando as práticas tradicionais prejudiciais Comportamentos: Reconhecer e demonstrar boas práticas de saúde Planifica e participa em actividades de promoção e educação sanitária na comunidade Conhecimento: Epidemiologia básica das doenças oculares comuns; princípios de planeamento; diagnóstico e diálogo no seio da comunidade; e envolvimento comunitário; teorias, princípios e conceitos de comunicação Aptidões: Comunicar eficazmente os problemas de saúde ocular às comunidades Comportamentos: Demonstra capacidades interpessoais; participa em actividades de promoção e educação em saúde ocular na comunidade num espírito de colaboração com outros comunicadores pessoais DOMÍNIO 4. CUIDADOS PALIATIVOS E DE REABILITAÇÃO: Facilita o acesso a cuidados completos e à inclusão social Declaração de competência Conhecimento, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Realiza avaliações básicas de baixa visão e ajuda os doentes na utilização de produtos auxiliares Conhecimento: Categorias de deficiência visual; definição de baixa visão; conhecimentos básicos de refracção; apoio óptico e não óptico para a visão subnormal; doentes com perturbações da visão Aptidões: Realizar avaliações básicas da baixa visão (mas não apenas a elas limitado); identificar e fazer a gestão dos doentes portadores de baixa visão, e encaminhá-los adequadamente Comportamentos: Apoia soluções básicas para melhorar a qualidade de vidados doentes com baixa visão em diferentes circunstâncias; ajuda os doentes a utilizar adequadamente produtos auxiliares básicos para a baixa visão Facilita e faz o seguimento do acesso à reabilitação e inclusão social Conhecimento: Serviços de reabilitação exigidos, onde estejam disponíveis, e de escolas integradas e para alunos com necessidades especiais Aptidões: Identificar as necessidades e encaminhar os doentes para a reabilitação ou colocação em locais especializados Comportamentos: Trabalha com outros membros não técnicos da equipa de saúde ocular;comunica adequadamente as necessidades em matéria de reabilitação; presta aconselhamento, dá apoio e capacita as famílias a utilizarem serviços e a se envolverem na educação abrangente CAPÍTULO 7 Competências Essenciais Não Clínicas Comuns para a Força de Trabalho de Saúde Ocular 36 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Quadro 9: Competências essenciais não clínicas comuns para a equipa de saúde ocular COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS NÃO CLÍNICAS COMUNS PARA A EQUIPA DE SAÚDE OCULAR Domínio Declaração de competência Competência Comunicador Obtém, discute e partilha informação com os doentes, as sua família e todos os que estão envolvidos nos cuidados ao doente Comunica eficientemente com a equipa de saúde, os doentes, sua família e outras partes interessadas pertinentes Utiliza princípios relevantes de comunicação para melhorar os cuidados oculares aos doentes Líder e gestor Fornece liderança na prestação de serviços de saúde ocular de qualidade Dá orientações para promover o trabalho e a colaboração em equipa, um bom equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar, e um ambiente saudável no local de trabalho Promove os serviços de saúde oculare integrados e centrados nas pessoas Desenvolve relações e parcerias multidisciplinares para promover serviços de saúde oculare integrados e centrados nas pessoas Facilita as oportunidades para os serviços de saúde ocular na comunidade em todos os sectores Participa nas actividades interprofissionais de cuidados de saúde em todos os sectores Faz a gestão dos recursos disponíveis para a prestação eficaz de cuidados de saúde ocular de qualidade Faz a gestão dos recursos disponíveis de uma forma que facilita o trabalho das equipa de saúde ocular na prestação dos serviços Promotor da Saúde Promove as mudanças ao nível das políticas e ao nível comunitário Defende as alterações pertinentes em matéria de políticas Usa as políticas disponíveis para a planificação distrital e a implementação dos planos de cuidados de saúde Praticante Comunitário Participa em programas de desenvolvimento comunitário Realiza e apresenta adequadamente avaliações sobre as necessidades das comunidades Académico, investigador, professor, mentor e formando ao longo da vida Mantém e aperfeiçoa os conhecimentos e as competências através da aprendizagem ao longo da vida; adopta as melhores práticas e normas através de uma abordagem baseada em evidências Executa intervenções clínicas, auditorias e revisões completas Envolve-se em actividades de investigação Promove, planifica e facilita a aprendizagem ao longo da vida, incluindo o desenvolvimento profissional contínuo Profissional Actua em conformidade com o enquadramento jurídico e as normas profissionais das boas práticas de comportamento ético, compromisso e responsabilização pública Exerce a sua actividade no âmbito do quadro jurídico nacional existente que rege a prática geral dos cuidados oculares Exerce a sua actividade em conformidade com a deontologia profissional e o código de conduta Adere aos princípios dos direitos humanos e mantém a dignidade humana Mantém um bom equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar Região Africana da OMS | 37 Quadro 10: Competências essenciais não clínicas comuns para a equipa de saúde ocular DOMÍNIO 5. COMUNICADOR: Obtém, discute e partilha informação com os doentes, sua família e todos os que estão envolvidos nos cuidados ao doente Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Comunica eficientemente com a equipa de saúde, os doentes, sua família e outras partes interessadas pertinentes Conhecimentos: Teorias, princípios, conceitos e métodos de comunicação eficaz e de resolução de conflitos Aptidões: Comunica com clareza usando linguagem apropriada para o utente que é seu interlocutor; usa eficazmente comunicação escrita, verbal e não-verbal; possui capacidade de ouvinte activo Comportamentos: Demonstra capacidades interpessoais e de mediação; dá feedback; é amigável, tem empatia e é respeitoso; colabora com outros profissionais Utiliza princípios relevantes de comunicação para melhorar os cuidados oculares aos doentes Conhecimentos: Teoria e princípios de comunicação para as mudanças sociais e comportamentais (SBCC) (Vide o Anexo SBCC) Aptidões: Aplica os componentes de SBCC; está familiarizado com técnicas de comunicação; segue os canais adequados Comportamentos: Comunica e colabora com outros profissionais DOMÍNIO 6. LÍDER E GESTOR: Fornece liderança, desenvolve relações e parcerias multidisciplinares e faz a gestão dos recursos para promover os serviços de saúde oculare integrados e centrados nas pessoas Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Dá orientações para promover o trabalho e a colaboração em equipa, um bom equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar, e um ambiente saudável no local de trabalho Conhecimentos: Princípios, conceitos e práticas de liderança e gestão organizativa; conceito de equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar e de ambientes saudáveis de trabalho; estratégias de gestão do tempo Aptidões: Possui capacidades interpessoais e de comunicação; sabe como demonstrar apoio à equipa de saúde ocular; possui capacidade de gestão do tempo Comportamentos: Norteia, apoia, delega, motiva e inspira a equipa de saúde ocular a trabalhar eficientemente em conjunto e num ambiente de trabalho saudável; mantém um equilíbrio saudável entre a vida profissional e a vida familiar Promove os serviços de saúde oculare integrados e centrados nas pessoas Conhecimentos: Conceitos e abordagens de sistemas de saúde; conceitos de cuidados integrados e centrados no doente; estratégias de melhoramento contínuo da qualidade Aptidões: Dá prioridade e planifica o melhoramento contínuo da qualidade dos cuidados e mantém a continuidade dos cuidados Comportamentos: Define prioridades; participa e apoia outros membros da equipa; actua como facilitador Facilita as oportunidades para os serviços de saúde ocular na comunidade em todos os sectores Conhecimentos: Papel dos ministérios do governo e outros parceiros da saúde em todos os níveis; oportunidade dos ciclos de planificação local; princípios de boas parcerias e envolvimento das partes interessadas pertinentes Aptidões: Identifica oportunidades de parcerias; consegue mobilizar recursos; consegue redigir propostas Comportamentos: Participa em fóruns conjuntos; inicia parcerias para a saúde ocular 38 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana DOMÍNIO 6. LÍDER E GESTOR: Fornece liderança, desenvolve relações e parcerias multidisciplinares e faz a gestão dos recursos para promover os serviços de saúde oculare integrados e centrados nas pessoas Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Participa nas actividades interprofissionais de cuidados de saúde em todos os sectores Conhecimentos: Compreende o papel de outros prestadores de cuidados de saúde em saúde ocular Aptidões: Comunica eficazmente para a gestão interdisciplinar de casos de saúde ocular Comportamentos: Promove a cooperação transversal; participa na prestação conjunta de cuidados aos doentes Faz a gestão dos recursos disponíveis de uma forma que facilita o trabalho das equipa de saúde ocular na prestação dos serviços Conhecimentos: Princípios de gestão dos recursos financeiros e humanos, incluindo gestão de infra-estruturas (edifícios e equipamento) e logística; capacidades interpessoais Aptidões: Planificar e monitorizar orçamentos; delegar de forma adequada; faz a manutenção preventiva do equipamento Comportamentos: Trabalha eficientemente com a equipa de saúde DOMÍNIO 7. PROMOTOR DA SAÚDE: Promove as mudanças ao nível das políticas e ao nível comunitário Declaração de competência Conhecimento, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Defende as alterações pertinentes em matéria de políticas Conhecimentos: Conhecimento de fontes de informação pertinentes para a CUS; políticas de saúde ocular ao nível nacional, regional e mundial; monitorização e avaliação dos programas de saúde ocular; dados de avaliação das necessidades em matéria de epidemiologia e comunicação; a sua importância par a planificação futura; princípios que regem a integração da saúde ocular no sistema de saúde Aptidões: Comunicação estratégica; outras capacidades de advocacia junto de líderes administrativos no área da saúde e não só; capacidade de planificar actividades de advocacia; capacidades de relacionamento interpessoal Comportamentos: É sensível, assertivo, objectivo e bom ouvinte quando defende a saúde ocular Usa as políticas disponíveis para o planeamento distrital e a implementação dos planos de cuidados de saúde Conhecimentos: Fontes de informação pertinentes para a CUS; políticas de saúde ocular ao nível nacional, regional e mundial; monitorização e avaliação dos programas de saúde ocular; dados de avaliação das necessidades em matéria de epidemiologia e comunicação; a sua importância para a planificação futura; princípios que regem a integração da saúde ocular no sistema de saúde Aptidões: Recolher, analisar e utilizar as evidências para elaborar planos de saúde ocular aos níveis nacional, distrital e comunitário Comportamentos: Contribui e colabora Região Africana da OMS | 39 DOMÍNIO 8. PRATICANTE COMUNITÁRIO: Participa em programas de desenvolvimento comunitário Declaração de competência Conhecimento, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Realiza e apresenta adequadamente avaliações sobre as necessidades das comunidades Conhecimento: Princípios básicos de prática de participação comunitária; métodos quantitativos e qualitativos de recolha de dados (p. ex., para investigação para a acção) Aptidões: Realizar avaliações das necessidades comunitárias; divulgar os resultados das partes interessadas; utilizar os resultados para informar os programas comunitários ou para formular estratégias de advocacia Comportamentos: Apoia os membros da comunidade a identificar as necessidades e soluções de uma forma respeitosa e sensível do ponto de vista cultural DOMÍNIO 9. ACADÉMICO, INVESTIGADOR, PROFESSOR, MENTOR E FORMANDO AO LONGO DA VIDA: Manter e aperfeiçoar os conhecimentos e as competências através da aprendizagem ao longo da vida; adopta as melhores práticas e normas através de uma abordagem baseada em evidências Declaração de competência Conhecimento, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Executa intervenções clínicas, auditorias e revisões completas Conhecimentos: Processos e ciclos das auditorias clínicas; métodos de recolha de informação; conceitos de reflexão e auto-regulação; a cultura de “não atribuição de culpa” Aptidões: Capacidade de realizar auditorias e usar a informação recolhida para a melhoria contínua Comportamentos: Realiza auditorias, analisa os resultados e facilita os processos construtivos de melhoria da qualidade; adopta processos de mudança Envolve-se em actividades de investigação Conhecimentos: Princípios básicos de investigação, métodos de investigação, bioestatística, epidemiologia, investigação participativa e saúde pública geral; conceitos e abordagens; práticas baseadas em evidências; princípios de investigação ética Aptidões: Capacidade de criar conceitos e protocolos de investigação; aderência aos princípios éticos; capacidade de implementar protocolos de investigação; interpretação e utilização dos resultados da investigação; capacidade de divulgação dos resultados Comportamentos: É capaz de iniciar ou participar em actividades de investigação; cumpre as normas deontológicas em investigação; respeita os contribuidores; divulga e utiliza os resultados da investigação Promove, planifica e facilita a aprendizagem ao longo da vida, incluindo o desenvolvimento profissional contínuo Conhecimentos: Teorias de ensino para adultos; princípios e processos de desenvolvimento profissional contínuo, incluindo mentoria; desenvolvimentos e avanços actuais em saúde ocular; diferentes modos de aprendizagem, incluindo o ensino online. Aptidões: Aptidão para ensinar, orientar e aprender; capacidade para usar diferentes plataformas de ensino e aprendizagem; capacidade de manter um desenvolvimento pessoal e profissional Comportamentos: Facilita um ambiente favorável à educação de adultos; demonstra paciência e flexibilidade em grupos diversificados; é um mentor, presta apoio de supervisão e dá feedback 40 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana DOMÍNIO 10. PROFISSIONAL: Age de acordo com as normas profissionais; mantém-se nos limites do enquadramento jurídico; segue as práticas e tem um bom comportamento ético; está obrigado a demonstrar compromisso e responsabilização Declaração de competência Conhecimentos, atitudes e aptidões necessárias para demonstrar as competências essenciais Exerce a sua actividade no âmbito do quadro jurídico nacional existente que rege a prática geral dos cuidados oculares Conhecimentos: Legislação e regulamentação da prática da saúde ocular em geral, incluindo doação de órgãos e de protecção e partilha de dados Aptidões: Capacidade para interpretar e aplicar a legislação e a regulamentação; capacidade para aderir à legislação e regulamentação existentes Comportamentos: Cumpre as regulamentações e os procedimentos jurídicos; age com integridade e transparência; mantém elevados padrões profissionais Exerce a sua actividade em conformidade com a deontologia profissional e o código de conduta Conhecimentos: Exerce a sua actividade em conformidade com a deontologia profissional e o código de conduta Aptidões: Capacidade de agir em conformidade com a deontologia e o código de conduta profissional Comportamentos: Observa a deontologia profissional e respeita o código de conduta; age com integridade; reconhece os limites das suas próprias competências Adere aos princípios dos direitos humanos e mantém a dignidade humana Conhecimentos: Princípios básicos de direitos humanos; equidade de género, protecção das crianças, inclusão social, diversidade e sensibilidade cultural Aptidões: Capacidade de aplicar os princípios dos direitos humanos na prática clínica Comportamentos: Observa os direitos humanos no comportamento profissional, incluindo a tolerância, o respeito, a inclusão social e a sensibilidade cultural; preserva a dignidade do doente Mantém um bom equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar Conhecimentos: Conceitos de socialização, incluindo equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar e um ambiente de trabalho saudável; compreende as estratégias de gestão do tempo Aptidões: Capacidade para planear, priorizar e aplicar o equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar, e os auto-cuidados Comportamentos: Demonstra uma vida saudável e equilibrada CAPÍTULO 8 Implementação 42 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana O quadro de competências de saúde ocular fornece uma base-padrão a partir da qual a OMS e os seus parceiros podem desencadear uma resposta regional para melhorar os serviços saúde ocular nos países ao longo do tempo. A implementação das competências de saúde ocular engloba os princípios de a) parcerias: trabalhar em colaboração com parceiros relevantes de saúde ocular na Região; b) pertinência: promover a adopção ou adaptação das competências de uma forma que responda ao contexto da Região Africana; c) apropriação: envolver os parceiros relevantes na implementação, monitorizá-los e avaliá-los; d) centralização nas pessoas: levar em conta as necessidades da população e responder de uma forma equitativa e justa, ao mesmo tempo que se mostra respeito pelo género e os direitos humanos. Colaboração Os esforços conjuntos de dimensionamento da educação e da formação para a força de trabalho da saúde constituem uma das seis áreas estratégicas do roteiro africano nesta área. Ao mesmo tempo, é fundamental promover e partilhar as capacidades em termos de educação e formação na Região (9). As intervenções propostas incluem promover e facilitar a harmonização dos programas curriculares, as normas de ensino, as acreditações e a regulação profissional. As intervenções irão apoiar em pleno a concretização da Estratégia Mundial sobre Recursos Humanos para a Saúde: Força de Trabalho 2030, uma vez que é um dos mandatos essenciais da OMS para facilitar e partilhar as melhores práticas, prestar apoio técnico à força de trabalho da saúde e alargar o campo de acção dos diferentes quadros (24). Documentação de apoio As ferramentas de adaptação e avaliação são alguns dos outros documentos de apoio previstos. Estas ferramentas serão cruciais para gerar e documentar as melhores práticas e lições aprendidas. Incentivam-se os países a terem em conta estas competências de saúde ocular quando elaborarem os seus respectivos guias para formação, política, advocacia, etc. Por seu lado, o Escritório Regional da OMS para a África vai procurar: • Prestar apoio técnico ao desenvolvimento das capacidades • Mobilizar os parceiros para prestarem apoio à melhoria da formação em saúde ocular • Gerar e documentar as lições aprendidas em colaboração com parceiros. Região Africana da OMS | 43 Referências 1. Frenk J, et al. Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world. The Lancet. 2010; 376(9756): 1923-1958. 2. WHO. Fact Sheets. 2016; http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs395/en. 3. National Ageing Research Institute. What is person-centered health care? 2006. 4. WHO. Health promotion glossary 1998; WHO/HPR/HEP/98.1. Epub 1998. 5. ZalikaKlemenc-Ketis, JK. Health-seeking behaviour in the general population with psychological symptoms. Psychiatria Danubina, 2014; 2014; Vol. 26 (No. 2,): pp. 181–6. 6. Moorhead S, Johnson, M, Maas, M. Nursing outcomes classification. (NOC) Labels Definitions. 3rd Edition. 2004. 7. Palmer, Jennifer J et al. Mapping human resources for eye health in 21 countries of sub-Saharan Africa: current progress towards Vision 2020. Human Resources for Health, 2014. 8. WHO. Trabalhar em conjunto: Relatório sobre a Saúde no Mundo 2006. 2006. 9. OMS. Roteiro para aumentar os recursos humanos para a saúde com vista a melhorar os serviços de saúde na Região Africana 2012-2025. Brazzaville, 2013. 10. WHO. Global strategy on human resources for health: Workforce 2030. Geneva, 2016. 11. Pascolini D, Mariotti SP. Global estimates of visual impairment: 2010. The British Journal of Ophthalmology. 2012; 96(5): 614-8. PubMed PMID: 22133988. 12. Bourne, Rupert RA et al. Magnitude, temporal trends, and projections of the global prevalence of blindness and distance and near vision impairment: a systematic review and meta-analysis, 2017. 13. Naidoo, Kovin et al. Prevalence and causes of vision loss in sub-Saharan Africa: 1990-2010. Global issues/bjophthalmology 2013. 2014. 14. IAPB. IAPB Position Paper. 2014. Epub 2014. 15. Resnikoff S, et al. The number of ophthalmologists in practice and training worldwide: a growing gap despite more than 200,000 practitioners. The British Journal of Ophthalmology. June 2012; 96 (6):783–7. PubMed PMID: 22452836. 16. Palmer, Jennifer J et al. Trends and implications for achieving Vision 2020: human resources for eye health targets in 16 countries of sub-Saharan Africa by the year 2020. Recursos humanos para a saúde 2014. 17. Palmer, Jennifer J et al. Mapear os recursos humanos para a saúde ocular em 21 países da África Subsariana: progressos actuais para a Visão 2020. Human Resources for Health 2014. (http://www. human-resources-health.com/content/12/1/44). 18. IAPB. The crisis in the eye health workforce in Africa. November 2014. 19. WHO. WHO strategy on people-centred and integrated health services. 2014. 20. WHO. Transforming and scaling up health professionals’ education and training: World Health Organization Guidelines 2013. Geneva, 2013. 21. ILO. International Standard Classification of Occupations. 2008;1. 22. Medicine Io. Crossing the quality chasm: a new health system for the 21st century, 2001. Washington DC: National Academy Press, 2001. 23. ICO. International Council of Ophthalmology. 2017;http://www.icoph.org/about/what_are_ ophthalmologists.html. Epub 2017. 24. WCO. A global competency-based model of scope of practice in optometry. April 2005. 25. Royal College of Physicians and Surgeons et al. CanMEDS 2015. Physician competency framework. 2015. Epub 2015. 26. RCOph. The common clinical competency framework for non-medical ophthalmic healthcare professionals in secondary care 2016. Epub, November 2016. 27. WHO. Task shifting: global recommendations and guidelines. Policy Guide, 2008. 28. WHO. Midwifery educator core competencies 2014. Epub 2014. 44 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Anexos Anexo I: PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS NÃO CLÍNICAS COMUNS PARA A EQUIPA DE SAÚDE OCULAR Um processo standardizado para desenvolver competências essenciais para a força de trabalho de saúde ocular (Figura 5). Objectivo geral O objectivo geral foi produzir competências essenciais para a força de trabalho de saúde ocular (oftalmologistas, optometristas e outros profissionais oftálmicos) para a Região Africana da OMS. Método Foi seguido um método colaborativo e consultivo. O resultado das extensas consultas realizadas em 2013 e 2016, que foram realizadas entre os grupos dos recursos humanos para a saúde ocular da IAPB, coordenadores nacionais de saúde oculares, peritos das instituições de formação, organismos profissionais e de regulação, entre outros, foi utilizado pela OMS para dar início aos trabalhos. O resto das consultas com os peritos da OMS consistiu numa série de reuniões e seminários, inquéritos Delphi e reuniões separadas de partes interessadas peritas na matéria, entre 2017 e 2018. Embora o foco fosse em África, também estiveram envolvidos peritos de outros continentes. O processo inicial A IAPB estabeleceu o trabalho de base para o processo, iniciando a identificação de diversos grupos de força de trabalho na equipa de saúde ocular. A IAPB especificou não apenas a relação entre estes grupos de força de trabalho e a CITP-08, mas também como as funções e os papéis devem estar em conformidade com as classificações internacionais. O formato e o fluxo do quadro do CanMEDS (Colégio Real de Médicos do Canadá) fizeram deste o modelo mais adequado a ser seleccionado para o processo. A isto seguiu-se o desenvolvimento de um primeiro projecto de modelo das tarefas do corpo de responsáveis clínicos oftálmicos. Os outros quadros deveriam usar um enquadramento semelhante baseado nas nove áreas prioritárias da Declaração de Ouagadougou sobre os cuidados de saúde primários e os sistemas de saúde. Foram incluídas as tarefas relativas às áreas prioritárias para a saúde ocular (curativas, preventivas, de promoção e reabilitação, e ao longo da vida). Processo técnico formal da OMS Foi formalizado um acordo de colaboração entre o Escritório Regional da OMS para a África (AFRO) e a IAPB-Africa através de uma nota conceitual à OMS em 2014. Recomendou-se que nesta fase apenas fossem incluídos os grupos de profissionais de saúde ocular neste processo. Redacção e documentação O consultor que foi recrutado para redigir a primeira versão do documento, usando o conteúdo do trabalho inicial desenvolvido pela IAPB e os grupos de trabalho dos recursos humanos para a saúde ocular e as informações actualizadas provenientes da revisão da literatura. Este projecto de documento foi então elaborado com recurso ao quadro da OMS dos domínios e das tarefas de saúde ocular. As tarefas assim desenvolvidas foram partilhadas com os relatores de cada um dos grupos de trabalho da IAPB e dos recursos humanos para a saúde ocular, para feedback. Pesquisa da literatura Foram identificadas e incluídas as fontes de informação a partir das quais foram elaboradas as competências. Estas consistiram em programas curriculares de instituições de formação, documentos de organismos profissionais em África e de fora do continente, e documentos e publicações nacionais e mundiais de políticas, incluindo a Classificação Internacional das Profissões e a documentação pertinente do Escritório Regional. Estabelecimento de consensos e consultas A OMS recrutou, com o apoio financeiro da IAPB, um consultor para elaborar o documento através de pesquisa da literatura, revisão da nota conceitual e das competências, desenvolvimento de ferramentas e realização de inquéritos Delphi na Região Africana da OMS para criar consenso entre os peritos (Anexo V). Foi utilizado um processo Delphi modificado para se obter consenso sobre as competências essenciais necessárias para a força de trabalho da saúde ocular. Os participantes no Delphi foram seleccionados de instituições de formação em África constantes da base de dados da IAPB, colegas virtuais, COECSA, RCOphth, ICO, ONG em saúde ocular, decisores políticos, coordenadores nacionais de saúde ocular e de organismos profissionais e de regulação. O processo seguiu uma abordagem de bola de neve. Região Africana da OMS | 45 Consultas com os peritos Um grupo seleccionado de peritos em diversas áreas reuniu-se em Nairóbi, de 18 a 22 de Setembro de 2017, para analisar a versão preliminar das competências com base nas respostas da 1.ª Ronda de inquéritos Delphi e para decidir qual o caminho a seguir. O grupo de peritos analisou as competências para todos os grupos e fez revisões consensuais. O projecto de competências resultante estava agora pronto para a 2.ª Ronda Delphi, para a criação de consenso, tal como recomendado. Várias reuniões em linha e teleconferências do Grupo Consultivo Permanente e de peritos na matéria concordaram com os resultados da 2.ª Ronda Delphi, tendo sido proposta uma segunda reunião presencial de um grupo alargado de peritos (Nairóbi, 27 de Fevereiro a 1 de Março de 2018). Este grupo de peritos, que era composto pela maioria dos peritos da primeira, com o acréscimo dos Ministérios da saúde, efectuou uma análise e revisão pormenorizada, reflexiva e estruturada de todo o processo e validou as competências essenciais e o processo na sua globalidade como um único documento. A equipa editorial e a documentação final O consultor, cuja função era reunir todo o material dos processos e documentar o processo e o produto final, redigiu a versão final do documento com a ajuda adicional de alguns peritos seleccionados para o formato deste processo. Os conteúdos foram ainda melhorados com as competências essenciais recentemente desenvolvidas pela OMS para os educadores de enfermagem e obstetrícia (28). O documento validado foi revisto em termos de consistência e rigor técnico após a validação por peritos antes da edição oficial, que faz parte do processo normal de publicação da OMS. Figura 5: Processo para desenvolver, documentar e validar as competências essenciais para a força de trabalho de saúde ocular Definir os grupos profissionais de prestadores de serviços especializados de saúde ocular: oftalmologistas, optometristas e outros profissionais oftálmicos Classificação profissional da OMS baseada na CITP-08 Desenvolver competências para cada um dos grupos da força de trabalho Processo conjunto da AFRO e da IAPB Análise a e Revisão das competências Pequeno grupo de peritos Obtém consenso sobre as competências Processo DELPHI - Amplo grupo de partes interessadas Análise e Revisão das competências Pequeno grupo de peritos para incorporar electronicamente os resultados inquéritos DELPHI Validar as competências e obter CONSENSO FINAL 27 DE FEVEREIRO A 1 DE MARÇO, NAIRÓBI, QUÉNIA 46 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Anexo II: PARTICIPANTES NO SEMINÁRIO CONSULTIVO DE PERITOS REGIONAIS SOBRE COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS DE SAÚDE OCULAR (19 a 22 de Setembro de 2017, Nairóbi, Quénia) Nome Cargo País Prof. Komi Matiklu Balo Professor de Oftalmologia, Universidade de Lomé Togo Dr. Luigi Bilotto Director de Educação, Brien Holden Vision Institute Canadá Sr.ª Ellen Anyeley Clegg Ex-Directora, Escola de Enfermagem Oftálmica, Korle Bu Gana Dr.ªRenée du Toit Conselheiro Técnico, IAPB-Africa África do Sul Prof. Richard Ganga- Limando Colaborador da OMS, Centre for Postgrad. N&M Distance Ed., Res. Universidade da África do Sul África do Sul Dr. Adrian Hopkins Facilitador, Adrian Hopkins Consulting Reino Unido Prof. Dunera Ilako Consultor de Oftalmologia, Universidade de Nairóbi Quénia Sr. Godfrey Kaggwa Director do Projecto SiB, Brien Holden Vision Institute Uganda Prof. Jefitha Karimurio Presidente do Departamento de Oftalmologia da Universidade de Nairóbi Quénia Dr.ª Abigail Kazembe Professora Associado e Vice-Reitor, Faculdade de Enfermagem de Kamuzu, Maláui Maláui Dr.ª Grace Chipalo Mutati Superintendente Médica Superior, Hospital Universitário de Oftalmologia Zâmbia Prof. Fikile Ntombi Mtshali Escola de Enfermagem e Saúde Pública, Universidade de Kwazulu-Natal (Centro Colaborador da OMS) África do Sul Sr. Peter Mwangi Kirigwi Formador Técnico em Optometria, Faculdade de Formação Médica, Quénia Quénia Prof. Kolawole Ogundimu Líder Técnico Global Sénior de Saúde Ocular, Sightsavers Nigéria Dr. Mollent Okech Conselheiro Técnico Sénior de RHS, Gestão de Serviços de Saúde Quénia Dr. Joseph Enyegue Oye Co-Presidente para a África Central da IAPB-Africa, Director Nacional, Sightsavers Camarões Sr. Senanu K Quacoe- Wossinu Co-Presidente para a África Ocidental Francófona e Lusófona, IAPB-Africa Togo Sr.ª Zahra Rashid Médica Optometrista Privada Quénia Prof. Jefitha Karimurio Presidente do Departamento de Oftalmologia da Universidade de Nairóbi Quénia Dr.ª Abigail Kazembe Professora Associada, Vice-Reitora, Faculdade de Enfermagem de Kamuzu, Universidade do Maláui Maláui Prof. Fikile Ntombi Mtshali Escola de Enfermagem e Saúde Pública Universidade de Kwazulu-Natal (Centro Colaborador da OMS) África do Sul SECRETARIADO Dr. Adam Ahmat Responsável Técnico, RHS e Planeamento, Escritório Regional da OMS para a África Congo Sr. Simon Day Coordenador Regional, IAPB-Africa África do Sul Dr. Michael Gichangi NECC, Ministério da Saúde do Quénia Quénia Dr.ª Hillary Kipruto Conselheira, HSS, Representação da OMS no Quénia Quénia Sr.ª Anabay Mamo Representação da OMS no Quénia Quénia Sr.ª Jennifer Nyoni Responsável Técnica, RHS e Planeamento, Escritório Regional da OMS para a África Congo Região Africana da OMS | 47 REUNIÃO DE PERITOS DA AFRO-IAPB (Nairóbi, 19 a 22 de Setembro de 2017) Resumo da Reunião Em Setembro de 2017, a AFRO e a IAPB realizam um seminário consultivo em Nairóbi, no Quénia. O seminário contou com a participação de peritos de saúde ocular, tendo como objectivo geral rever a versão preliminar das competências essenciais para os três grupos de profissionais especializados de saúde ocular na África Subsariana: oftalmologistas, optometristas e outros profissionais de saúde ocular, antes da finalização e validação por parte peritos em saúde ocular e outros de áreas relacionadas. O desenvolvimento de quadros de competências para os diferentes níveis da força de trabalho de saúde ocular é um componente fundamental da estratégia da IAPB-Africa sobre os recursos humanos para a saúde. O seminário foi um marco importante neste sentido. Em última instância, estas competências têm por finalidade melhorar a qualidade e a pertinência dos cuidados prestados pelos profissionais de saúde ocular. Estas melhorias poderiam contribuir para a consecução da Cobertura Universal de Saúde. O evento foi organizado conjuntamente pela AFRO e a IAPB-Africa – e inteiramente financiado pela IAPB-Africa – com o apoio do Fundo para Seminários do Centro Internacional para a Saúde ocular da Iniciativa Visão 2020. Ao longo do evento, os trabalhos foram facilitados pelo Dr. Adrian Hopkins. Esteve também presente no evento o Dr. Michael Gichangi, o consultor contratado pela AFRO para liderar este processo. Os peritos convidados eram representantes de cada um dos quadros profissionais e dos diferentes grupos linguísticos e sub-regiões do continente. Durante seminário, o seu papel foi fundamental para rever um conjunto de versões preliminares das competências essenciais em termos do seu conteúdo, terminologia e formato. Foi depois concedido tempo para debate até se obter consenso em relação a cada componente. Houve debates acesos e produtivos durante a revisão e as sessões plenárias, que analisaram ao pormenor as diferenças entre os três quadros de profissionais, assim como o seu conteúdo essencial das competências e os seus domínios. O resultado do seminário foi um conjunto revisto de competências essenciais que foi aprovado por todos os participantes. A etapa seguinte foi o envio das competências para uma 2.ª Ronda do processo Delphi. O resultado da 2.ª Ronda do Delphi seria apresentado para revisão e aprovação durante uma segunda reunião de peritos e representantes nacionais, agendada para o primeiro trimestre de 2018. 48 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Anexo III: PARTICIPANTES NA REUNIÃO CONSULTIVA DE VALIDAÇÃO Nairóbi, Quénia, 27 de Fevereiro a 1 de Março de 2108 NOME CARGO E ORGANIZAÇÃO PAÍS Dr. James Amoo Addy Director da Unidade de Saúde Ocular, Coordenador Nacional, Prevenção da Cegueira Gana Dr. Mouctar D Badiane Coordenador do Programa Nacional de Promoção da Saúde Ocular Senegal Dr. Luigi Bilotto Director de Educação, Brien Holden Vision Institute Canadá Dr.ª Grace Chipalo Mutati Superintendente Médica Superior, Hospital Universitário de Oftalmologia Zâmbia Sr.ª Ellen Clegg Anyeley Ex-Directora, Escola de Enfermagem Oftálmica, Korle Bu Gana Dr.ªRenée du Toit Conselheiro Técnico, IAPB-Africa África do Sul Prof. André Omgbwa Eballe Coordenador-Adjunto, Programa de Prevenção da Cegueira Camarões Prof. Richard Ganga-Limando Colaborador da OMS, Centre for Postgrad. N&M Distance Ed., Res. Universidade da África do Sul África do Sul Dr. Adrian Dennis Hopkins Facilitador, Adrian Hopkins Consulting Reino Unido Prof. Dunera Ilako Consultor de Oftalmologia, Universidade de Nairóbi Quénia Dr. Michael Gichangi Director da Unidade de Serviços Oftálmicos, MdS Quénia Sr. Godfrey Kaggwa Director do ProjectoSiB, Brien Holden Vision Institute Uganda Prof. Jefitha Karimurio Presidente do Departamento de Oftalmologia da Universidade de Nairóbi Quénia Sr.ª Annette Kobusingye Gestora de Programa, The Fred Hollows Foundation, Região Africana Uganda Dr. Aaron T. Magava Presidente, IAPB-Africa Zimbabué Dr. Silvio Paolo Mariotti Responsável Médico Superior/Sede da OMS Suíça Dr.ª Simona Minchiotti Consultora de Saúde Ocular/Sede da OMS Itália Prof. Ntombi Fikile G Mtshali Escola de Enfermagem e Saúde Pública Universidade de Kwazulu-Natal (Centro Colaborador da OMS) África do Sul Sr. Peter Mwangi Kirigwi Formador Técnico em Optometria, Faculdade de Formação Médica, Quénia Quénia Sr.ª Annette Kobusingye Consultora independente Zâmbia Dr. Mollent Okech Conselheiro Técnico Sénior de RHS, Gestão de Serviços de Saúde Quénia Dr. Joseph Enyegue Oye Co-Presidente para a África Central da IAPB-Africa, Director Nacional, Sightsavers Camarões Sr. Senanu K Quacoe- Wossinu Co-Presidente para a África Ocidental Francófona e Lusófona, IAPB-Africa Togo Sr.ª Zahra Rashid Optometrista, consultora em visão subnormal Quénia Dr.ª Bernadetha Robert Shilio Gestora do Programa Nacional de Cuidados Oculares, Ministério da Saúde Tanzânia Sr.ª Kassa Tsehaynesh Tiruneh Direct T.A (na qualidade de Coordenadora Nacional de Saúde Ocular) MFdS, Etiópia Etiópia Dr.ª Linda Visser Directora Académica, Dep. de Oftalmologia, Vice-Presidente da OSSA, Faculdade de Oftalmologia África do Sul Dr. Adam Ahmat Responsável Técnico, RHS e Planeamento, Escritório Regional da OMS para a África Congo Sr. Simon Day Coordenador Regional, IAPB-Africa África do Sul Dr.ª Hillary Kipruto Conselheira, HSS, Representação da OMS no Quénia Quénia Sr.ª Anabay Mamo Representação da OMS no Quénia Quénia Dr. Conall Ó Deasmhúnaigh Representação da OMS no Quénia Quénia Sr.ª Jennifer Nyoni Responsável Técnica, RHS e Planeamento, Escritório Regional da OMS para a África Congo Região Africana da OMS | 49 SEMINÁRIO REGIONAL DE VALIDAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DE SAÚDE OCULAR (Nairóbi, Quénia, 27 de Fevereiro a 1 de Março de 2108) Resumo do Seminário O seminário realizado em Nairóbi teve como objectivo validar as competências essenciais necessárias para informar a formação e a qualidade dos cuidados prestados pelos profissionais de saúde ocular na Região Africana da OMS. A nota de abertura do Representante da OMS no país, o Dr. Rudolf Eggers, foi proferida pela Dr.ª Joyce Nato, ponto focal para as doenças não transmissíveis na Representação da OMS em Nairóbi, no Quénia. Nesta intervenção de abertura, a plateia foi relembrada dos desafios da saúde ocular e do enorme sofrimento humano que a perda da visão causa às pessoas afectadas e às suas famílias. A má saúde ocular também representa um problema de saúde pública, social e económico, sobretudo para os países em desenvolvimento. A Dr.ª Nato afirmou que, aproximadamente, 180 milhões de pessoas em todo o mundo são portadoras de deficiência visual. Destas, entre 40 e 45 milhões de pessoas são cegas e cerca de 60% delas vivem na África Subsariana, China e Índia. A Dr.ª Nato referiu que, aproximadamente, 50% dos invisuais do mundo sofreram de cataratas e que cerca de 80% da cegueira a nível mundial é evitável. A despeito de meio século de esforços envidados, que tiveram início com actividades organizadas de controlo do tracoma, o fardo mundial da cegueira continuou a aumentar principalmente devido ao crescimento e ao envelhecimento da população. A OMS e os seus parceiros lançaram uma agenda comum para a acção a nível mundial chamada “Visão 2020 - o direito à visão”,que proporcionou uma plataforma para combater a cegueira. Por conseguinte, o seminário de validação em Nairóbi era deveras oportuno. Um quadro para ajudar os profissionais a solucionar eficazmente os problemas da saúde ocular na Região Africana é importante, pois a Região é a mais afectada pelas causas da cegueira evitável. O Dr. Michael Gichangi, o consultor recrutado para redigir as competências, também realçou a crise nos recursos humanos para a saúde na Região, sublinhando o facto de que, dos quase 10 000 optometristas em África, a maioria encontra-se na Nigéria e África do Sul. O resto dos países da Região tem muito poucos destes profissionais. Aliás, 78% dos países da Região têm menos de 50% dos optometristas. Embora África comporte o fardo mais pesado de doenças oculares, os 200 000 oftalmologistas existentes em todo o mundo estão concentrados no Ocidente e noutras regiões. Com base no Atlas da Visão da IAPB e nas bases de dados de instituições de formação, as lacunas actuais na Região foram avaliadas como sendo: • 2000 oftalmologistas • 3600 optometristas • 6000 outros profissionais de saúde ocular A Sr.ª Jennifer Nyoni, em representação da AFRO, apresentou o contexto regional e os traços gerais da crise nos recursos humanos para a saúde (RHS) na Região. A resposta cabal à crise nos RHS na Região baseia-se nas resoluções WHA59.25 e WHA66.33 da Assembleia Mundial da Saúde, para dimensionar a força de trabalho da saúde, e ainda nas orientações subsequentes sobre a transformação do ensino dos profissionais de saúde, tal como apoiado pelo relatório da Comissão Lancet acerca das transformações no sector da educação (Frenk et al. 2010). Os documentos providenciaram uma base sólida para a produção cabal de uma força de trabalho da saúde que seja pertinente para o contexto, de boa qualidade e em números adequados para satisfazer as necessidades das populações na Região. A Sr.ª Nyoni detalhou ainda o processo para o desenvolvimento das competências de saúde ocular, afirmando que o desenvolvimento do projecto inicial utilizou documentos-chave de referência que incluíram competências aos níveis mundial e regional, p. ex., as competências essenciais da OMS 50 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana sobre obstetrícia, o CanMEDS, diversos programas curriculares de instituições de ensino, políticas nacionais de saúde, CITP-08, publicações científicas e resoluções e relatórios da Assembleia Mundial da Saúde. Os peritos presentes no seminário foram convidados a participar em pleno e a focarem a sua atenção na validação, com êxito, do processo que conduziu à versão actual das competências para os profissionais de saúde ocular. Durante o seminário, os peritos debateram intensamente os dez domínios de competência: i) cuidados curativos; ii) cuidados cirúrgicos; iii) cuidados de prevenção e promoção da saúde; iv) cuidados paliativos e de reabilitação; v) comunicação; vi) liderança e gestão; vii) advocacia para a da saúde; viii) exercício da actividade médica na comunidade, colaboração e trabalho em equipa; ix) bolsas de estudo, investigação, ensino, mentoria e aprendizagem ao longo da vida; e x) profissionalismo. Os domínios personificam competências clínicas e não clínicas comuns. O feedback das discussões em grupo foi progressivamente integrado no projecto de documento ao longo dos três dias do seminário. Todas as noites, as pessoas de recurso (da OMS, IAPB e o consultor recrutado) reviram a agenda e sugeriram formas de melhorar as agendas subsequentes, conforme necessário. Perspectivas A concluir o seminário, discutiu-se a agenda para as actividades imediatas e de longo prazo. Particularmente digna de nota, foi é a natureza interactiva e construtiva do seminário de validação. Os participantes de alto nível deram muitos contributos no decurso do trabalho de grupo e nas sessões plenárias. Como o principal facilitador era um profissional de saúde ocular, desempenhou um papel- chave para moderar o grupo na discussão para se chegar a um consenso sobre aspectos por vezes contenciosos. A OMS e a IAPB reafirmaram o seu empenho em levar a bom porto o processo como acima preconizado, com o apoio da equipa editorial. Região Africana da OMS | 51 Anexo IV: FUNÇÃO E PÚBLICOS-ALVO DO QUADRO DE COMPETÊNCIAS Função Público-alvo Desenvolvimento, revisão e implementação de programas curriculares para o ensino inicial e contínuo baseado nas competências, p. ex., para determinar os resultados da aprendizagem e para avaliar os conhecimentos, as competências e as atitudes que são relevantes para o contexto e são socialmente adequadas para o ensino interprofissional. Instituições de ensino Uso dos resultados da aprendizagem para ajudar a entender as expectativas da formação enquanto um recurso material para a aprendizagem autogerida e direccionada Formandos Guias para os requisitos em matéria de desenvolvimento profissional e para avaliações pelos pares Associações profissionais Avaliações das habilitações, licenciamento, acreditação institucional e regulação Autoridades de licenciamento e regulação; Conselhos de examinação Promoção e facilitação do trabalho em rede e formação harmonizada para fornecer uma maior equivalência e mobilidade da força de trabalho de saúde ocular na África Subsariana Decisores políticos e responsáveis pela elaboração de políticas; instituições de ensino, ministérios da saúde e da educação Orientações para políticas de planeamento e gestão da força de trabalho, p. ex., leque de competências e transferência ou partilha de tarefas, com base em competências e diferenciada por competências que são exclusivas de um determinado grupo. Estas últimas podem ser usadas para categorizar o trabalho dos grupos e subgrupos; ajudam a definir claramente os papéis e as responsabilidades da equipa de saúde ocular, assim como as suas tarefas na descrição de funções; por sua vez, isto também facilita as actividades de supervisão e mentoria, melhora o reconhecimento profissional, a progressão na carreira e a remuneração para os quadros profissionais existentes ou propostos. Planificadores e decisores políticos; Ministérios da educação ou da saúde; grupos de trabalhadores e empregadores Reforçar a prestação de serviços e cuidados de saúde integrados e centrados nas pessoas; por exemplo, a decisão sobre as competências de que a equipa precisa pode levar a uma afectação adequada das mesmas aos membros dessa equipa, facilitando ou incentivando deste modo as práticas de colaboração e o trabalho nos diversos sectores da saúde e noutros sectores, o que resulta na prestação de cuidados mais holísticos e integrados Sociedade civil Podem ser dadas orientações para políticas de reforço e apoio do sistema de saúde na forma de supervisão e equipamento para permitir à força de trabalho da saúde implementar as competências; isto poderá ajudar a satisfazer as necessidades dos doentes, bem como as expectativas das populações e do sistema de saúde Decisores políticos; ministérios da educação ou da saúde 52 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Anexo V: O INQUÉRITO DELPHI Delphi 1 Grupo de peritos 1 Delphi 2 Grupo de peritos 2 Número de competências Número (%) que obteve consenso* Número de competências Número (%) que obteve consenso* Número de competências validadas C o m p et ên ci as Oftalmologistas 12 10 (92%) 12 12 (100%) 14 OPO (clínicos) 14 12 (86%) 17 16 (94%) 16 Total de OPO 25OPO (enfermeiros) 9 9 (10%) 10 10 (100%) 11 Optometristas 22 19 (91%) 26 24 (92%) 26 Oculistas oftálmicos 18 8 (44%) Grupo omitido - falta de consenso; terminologia confusa Competências não técnicas comuns 17 17 (100%) 16 16 (100%) 18 Ta xa s d e re sp o st a Número de inquéritos enviados por correio electrónico 94 57 Número de respostas 57 (61%) 39 (68%) Percentagem para África 91% 86% % do Quénia 36% 46% % das instituições de formação 63% 49% Q ua lifi ca çà o / q ua d ro s Oftalmologistas 62% 62% OPO (clínicos) 12% 9% OPO (enfermeiros) 8% 6% Optometristas 15% 14% Região Africana da OMS | 53 Western Sahara Tunisia Sudan Somalia Morocco Libya Egypt Djibouti Zimbabwe South Sudan Sierra Leone Seychelles Sao Tome and Principe Rwanda Niger Namibia Mauritius Mauritania Mali Madagascar Lesotho Guinea-Bissau Guinea Gambia Gabon Eritrea Equatorial Guinea Democratic Republic of Congo Congo Comoros Chad Central African Republic Cabo Verde Botswana Benin Angola Algeria Zambia UR Tanzania Uganda Togo South Africa Senegal Nigeria Mozambique Malawi Liberia Kenya Ghana Ethiopia Eswatini Côte d'Ivoire Cameroon Burundi Burkina Faso Resumo dos inquiridos e das respostas sobre as competências essenciais de ambas as rondas de Delphi, discussões, consenso e validação das competências nas duas reuniões de peritos. Locais de inquirição Delphi em África Burquina Faso Burúndi Camarões Côte d’Ivoire Eswatini Etópia Gana Quénia Libéria Maláui Moçambique Nigéria Senegal África do Sul Togo Uganda República Unida da Tanzânia Zâmbia Locais de inquirição Delphi - Africa.csv 54 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Anexo VI (a): TESTES DE DIAGNÓSTICO E PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOSOFTÁLMICOS Este Anexo VI (a) fornece orientações gerais para efeitos de harmonização dos diferentes procedimentos clínicos no âmbitos da prestação de serviços de saúde ocular. Define também o âmbito dos procedimentos para cada prestador. Esta é uma lista essencial (mínima) de procedimentos básicos de oftalmologia e deverá ser vista no contexto específico individual do país ou da instituição. A partir deste Anexo, recomenda-se que: • Todos os oftalmologistas recém-licenciados deverão ser competentes para realizar e interpretar exames de diagnóstico; • Todos os outros profissionais de saúde ocular deverão ser competentes para realizar e interpretar o que foi mencionado acima supra, excepto as categorias assinaladas com x**, para as quais são necessárias competências adicionais; • Os optometristas deverão ser capazes de adquirir competências para realizar todos os tipos de exames de diagnóstico; e precisam de ter as competências pertinentes para serem capazes de interpretar os resultados dos exames; • Os optometristas precisam de ter as competências necessárias para realizar pequenos procedimentos cirúrgicos; epilação, incisão e drenagem de calázio e abcessos da pálpebra,*** remoção de corpos estranhos da conjuntiva e da córnea e participar em cuidados cirúrgicos pré e pós-operatórios; • ++ A supervisão é feita directamente quando o oftalmologista está presente, observa, trabalha e orienta o clínico, ou quando o oftalmologista trabalha na mesma unidade de saúde ou organização que o clínico, mas não observa constantemente as suas actividades. O oftalmologista tem de estar disponível para um acesso regular, i.e., estar disponível em permanência. Chave para o Anexo VI (a) Sinal Significado • No âmbito das competências primárias do quadro x Fora do âmbito das competências primárias do quadro • ** Embora no âmbito das competências primárias do quadro, o médico irá procurar colegas com mais competências em procedimentos para corrigir os erros refractivos x** Embora o processo possa não estar no âmbito das competências primárias do quadro, a pessoa que adquiriu competências pertinentes não está limitada e deverá procurar trabalhar dentro do contexto regulatório do país. x*** Como acima (x**), mas precisará de estreita orientação++ , directa ou indirecta,por parte de um oftalmologista. PROCEDIMENTO Oftalmologistas OPSO (clínicos) OPSO (enfermeiros) Optometristas TESTE DE DIAGNÓSTICO OFTÁLMICO Tonometria ü ü ü ü Paquimetria ü ü ü ü Gonioscopia ü x** x** ü Fotografia da retina ü ü ü ü Angiografia Fluoreceínica ü x** x** x** Avaliação dos campos visuais ü ü ü ü Tomografia de coerência óptica (OCT) ü ü ü ü Topografia corneana ü ü ü ü Ecografia ocular* ü x** x** x Biometria ü ü ü ü Retinoscopia ü ü ü ü Contagem de células endoteliais ü ü ü ü Região Africana da OMS | 55 PROCEDIMENTO Oftalmologistas OPSO (clínicos) OPSO (enfermeiros) Optometristas Avaliação directa e indirecta do fundo ocular ü ü ü ü Sondagem e irrigação ü ü ü ü PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS ÓRBITA, SACO LACRIMAL E PÁLPEBRA Infiltrar anestesia local ü ü x*** x** Excisão dermóide simples ü ü x x Excisão dermóide complexa ü x x x Orbitotomia anterior ü x x x Orbitotomia lateral ü x x x Reparação da parede orbital x** x x x Descompressão da parede orbital x** x x x Incisão e drenagem do mucocelo ü x x x Exenteração ü x x x Evisceração ü ü x x Evisceração e implante orbital ü x** x x Enucleação ü x*** x x Enucleação e implante orbital ü x x x Reconstrução do fórnice orbital x** x x x Punctoplastia ü x x x Oclusão Punctal ü ü x*** ü Seringação e irrigação de sondagem ü ü x x Dacriocistorrinostomia (DCR) ü ** x x x Correcção do entrópio tracomatoso ü ü x ** x ** Outras correcções do entrópio não tracomatoso ü ** x x x Correcção do Epibléfaro x** x x x Correcção da ptose ü x x x Fractura orbital x** x x x Pálpebra - correcção de laceração canalicular ü x x x Pálpebra - excisão de tumor (reconstrução) ü x x x Tarsorrafia ü ü x** x Blefaroplastia da pálpebra superior ü x x x Blefaroplastia da pálpebra inferior ü x x x Abcesso da pálpebra (incisão e drenagem) ü ü x** x** Calázio (incisão e drenagem) ü ü x** x** Epilação-A (simples não tracomatosa) ü ü ü ü Electrólise das pestanas-A ü ü x** x 56 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana PROCEDIMENTO Oftalmologistas OPSO (clínicos) OPSO (enfermeiros) Optometristas SEGMENTO ANTERIOR E CÓRNEA Cirurgia de catarata com pequena incisão + LIO ü x** x x Cirurgia de catarata com pequena incisão + LIO + TET ü x x x Facoemulsificação + LIO ü x** x x Facoemulsificação + LIO + Trabeculectomia ü x x x Cirurgia de catarata + LIO + vitrectomia anterior ü x x x Lesões perfurantes do olho ü x** x x Excisão de lesões da conjuntiva ü ü x x Excisão de lesões da conjuntiva + enxerto ü x x x Transplante da córnea (queratoplastia penetrante) x** x x x Transplante da córnea (queratoplastia lamelar) x** x x x Procedimento triplo: Transplante da córnea, cirurgia de catarata + implante de LIO x** x x x Remoção de suturas da córnea com lâmpada de fenda cirúrgica ü ü x x Remoção de corpos estranho da córnea ü ü ü ü Capsulotomia posterior ü x x x Punção/injecção na câmara anterior ü x x x Avaliações refractivas pré/pós- operatórias ü x x ü Injecções na sub-conjuntiva/ cápsula de Tenon ü ü x** x Cirurgias refractivas x** x x x Ablação da superfície x** x x x Lentes intra-oculares Phakic ü x x x Queratectomia foto-refractiva x** x x x Remoção de cicatriz da córnea x** x x x GLAUCOMA Trabeculectomia ü x x x Trabeculotomia ü x x x Goniotomia ü x x x Combinação de facoemulsificação/ trabeculectomia x** x x x Combinação de cirurgia de catarata por microincisão e trabeculectomia x** x x x Região Africana da OMS | 57 PROCEDIMENTO Oftalmologistas OPSO (clínicos) OPSO (enfermeiros) Optometristas Implantes de drenagem de glaucoma (GDI) x** x x x Combinação de GDI e facoemulsificação x** x x x Iridectomia cirúrgica ü x** x x Exame sob anestesia para o glaucoma congénito ü x x x Injecção com álcool/Largactil ü ü x x Laser: Trabeculoplastia, iridotomia e lise de sutura ü x x x Revisão das bolhas ü ü x x Ciclocrioterapia-A/B ü ü x x OFTALMOLOGIA PEDIÁTRICA Reformulação da câmara anterior x** x x x Goniotomia x** x x x Substituição de lente intraocular (LIO) x** x x x Lensectomia e implante de LIO x** x x x Remoção da membrana da câmara anterior x** x x x Pupiloplastia x** x x x Lavagem da câmara anterior ü x x x Correcção da córnea ü x x x Remoção de corpo estranho na córnea ü ü x ü Exame sob anestesia (EUA) para retinoscopia, barra de refracção e corpo estranho ü ü x ü Capsulotomia via pars plana ü x x x Iridectomia/irotomia ü x** x x Iridectomia óptica ü x** x x TRATAMENTO DO ESTRABISMO Correcção do estrabismo por cirurgia x** x x x SEGMENTO POSTERIOR E RETINA Laser central ü x x x Fotocoagulação panretiniana (em lâmpada de fenda) ü x x x Fotocoagulação panretiniana (em lâmpada de fenda indirecta) ü x x x Retinopexia a laser ü x x x Ciclocrioterapia ü x** x x Ciclofotocoagulação/terapia ü x x x Injecções intravítreas ü x** x x Remoção de óleo de silicone x** x x x 58 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana PROCEDIMENTO Oftalmologistas OPSO (clínicos) OPSO (enfermeiros) Optometristas SEGMENTO POSTERIOR E RETINA continuação Cirurgia de catarata com remoção de óleo de silicone x** x x x Vitrectomia posterior com LIO deslocada e remoção de corpo estranho do vítreo x** x x x Vitrectomia posterior e gás x** x x x Vitrectomia posterior + óleo x** x x x Vitrectomia posterior e delaminação, gás e óleo x** x x x Procedimentos combinados (vitrectomia posterior, cirurgia de catarata e implantes de LIO) x** x x x Procedimentos combinados (vitrectomia posterior com fixação ou banda escleral + cirurgia de catarata e implantes de LIO) x** x x x Vitrectomia posterior e cirurgia para buraco da mácula x** x x x Remoção de fixação escleral e explantes ü x x x Anexo VI (b): USO DE PRODUTOS E TRATAMENTOS FARMACOLÓGICOS POR OPTOMETRISTAS Categoria de medicamento oftálmico Indicação Agentes anti-infecciosos Conjuntivite e blefarite bacteriológica Medicação (não esteróide) para alergias oculares Alergias e inflamações oculares Terapêuticas e produtos para a secura ocular Doenças da superfície ou secura ocular Agentes cicloplégicos e de dilatação Exame ocular Anestésicos tópicos Exame ocular e remoção de corpo estranho Corantes tópicos Exame ocular Soluções para lentes de contacto Higiene, lubrificação e manutenção de lentes de contacto Atropina Manejo e controlo da miopia Nota: NÃO ESTERÓIDES Região Africana da OMS | 59 Equipas de desenvolvimento de tarefas dos recursos humanos para a saúde ocular da IAPB Dr.ªRenée du Toit (Presidente AOP + Presidente dos HReH) Ellen Clegg Ciku Mathenge Halli Manalakos Lynn Anderson Joseph Oye Godfrey Kaggwa Janvier Kilangalanga Mary Wepo Ken Kagame (Presidente de Oftalmologia) Kunle Hassan Patrice Komi Balo Margarida Chagunda Dunera Ilako Yeshigeta Gelaw Seth Lartey Irmela Erdmann Ahmad Gomaa Henry Nkumbe Hannah Faal (Presidente dos TCS) Uche Amazigo Henrietta Monye Amir Bedri Ima Chima E Appiah-Denkyra Bo Wiafe (Presidente do PEC) Maria Hagan Dorcas Chelanga Hannah Faal Kesi Naidoo (Presidente de Optometria) Imran Khan Senanu K Quacoe- Wossinu Nigel Wilson Anguyo Dralega Vanessa Moodley Angela Affran Anexo VII: LISTA DE PESSOAS ENVOLVIDAS NO PROCESSO Participantes das Rondas 1 e 2 de Delphi Nº Nome País 1 AdedayoAdio Nigéria 2 Agnes Mualuko Quénia 3 Alemayahu WoldeyesTefera Etiópia 4 Anne Ampaire Musika Uganda 5 Boubacar Sarr Senegal 6 Catherine K. Gargu Libéria 7 Claire Studley Scott Reino Unido 8 Clare Gilbert Reino Unido 9 Claudio Owino Quénia 10 Dorothy Mutie Quénia 11 Elijah Mutoloki Munachonga Zâmbia 12 Ellen Anyeley Clegg Gana 13 Ernest Ollando Quénia 14 George S. Odhiambo Ohito Quénia 15 Grace Chipalo Mutati Zâmbia 16 Imran Khan Reino Unido 17 Irmela Erdmann Togo 18 Prof. Jefitha Karimurio Quénia 19 Jonathan Buturu Quénia 20 Judith Mwende Tanzânia 21 Kahaki Kimani Quénia 22 Karl Golnik EUA 23 Kesi Naido África do Sul 24 Margarida Chagunda Moçambique 25 Milliam Kamau Quénia 26 Millicent Muthoni Quénia 27 Nicholas Olobio Nigéria 28 Nick Astbury Reino Unido 29 Nyawira Mwangi Quénia 30 Okenwa-Vincent Emmanuel Quénia 31 Rebecca Oenga Quénia 32 Sheila Marco Quénia 33 Stephen Gichuhi Quénia 34 William Makupa Tanzânia 35 Zahra Rashid Quénia 60 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Participantes apenas na 1ª Ronda de Delphi Nº Nome País 1 Dabilougou Adama Fulbert Burquina Faso 2 Levi Kandeke Burundi 3 Bella Assumpta Lucienne (2 rounds) Cameroon 4 Kouakoua Marie Madeleine Ivory Coast 5 Dennis Osiago (2 rounds) Kenya 6 Ernest B. Wanyama Kenya 7 Lucy Manyara Kenya 8 Monicah Bitok (2 rounds) Kenya 9 Petros Kanyange Malawi 10 Mariamo S Abdala Mozambique 11 Abubakar Jibril Rifun Nigeria 12 C Cook South Africa 13 France Nxumalo South Africa 14 Kgao Edward Legodi South Africa 15 Sharon Maseko Swaziland 16 Peter M. Kirigwi Kenya 17 Milka Mafwiri Tanzania 18 Quacoe-Wossinu Senanu (2 rounds) Togo 19 Babalanda Jean Uganda 20 Kaggwa Godfrey Uganda 21 Simon Arunga Uganda 22 Jessie Mbachi Innocencia Nyalazi Zambia Outros funcionários de apoio técnico e geral (que trabalharam arduamente ou foram regularmente consultados nos bastidores pelo consultor, o Dr. Michael Gichangi) Prof. Emilee Epée Oftalmologista (revisor) Camarões Dr. Augustine Mwangi Consultor de Educação e Professor da Universidade de Nairóbi Quénia John Maina Murage, BSc Gestor de TIC e Dados Quénia Dr. Michael Gichangi Técnico de Estatística, JEPAIGO, Nairóbi Quénia Sr.ª Catherine Mwaura Enfermeira-Formadora em Optometria, Faculdade de Formação Médica do Quénia Quénia Dr. Eduardo Mayorga Oftalmologista, Educador ICO Argentina Dr.ª Joyce W Kabiru Oftalmologista e Cirurgiã Oculoplástica Quénia Prof. Dan Kiage Oftalmologista e Especiaista em Glaucoma Quénia Dr. Stephen Gichuhi Oftalmologista e Epidemiologista, Professor Académico, Universidade de Nairóbi Quénia PAINEL DE PERITOS NA MATÉRIA DA OMS-IAPB Dr.ª Grace Misumbi Chipalo-Mutati Prof. Komi Balo Dr. Joseph Oye Prof. Dunera Ilako Prof. Abigail Kazembe Sr.ª Ellen Clegg Anyeley Sr. Godfrey Kaggwa Dr. Renée du Toit Dr. Kola Ogundipe Prof. JefithaKarimurio Prof. Fikile Ntombi Mtshali Dr. Luigi Bilotto Sr. Senanu Quacoe Sr. Peter Mwangi Kirigwi Sr.ª Zahra Rashid Prof. Richard Ganga-Limando Dr. Mollent Okech Dr. Adrian Hopkins Dr. Michael Gichangi Dr. Adam Ahmat Dr.ª Simona Minchiotti Sr.ª Jennifer Nyoni Sr. Simon Day Região Africana da OMS | 61 Membros do Grupo Consultivo Permanente que dirigiu o processo das competências essenciais Dr. Adam Ahmat Região Africana da OMS, Grupo Orgânico dos HSS Dr.ª Simona Minchiotti Região Africana da OMS, Grupo Orgânico das DNT Sr.ª Mwansa Nkowane Departamento HWF, Sede da OMS Sr.ª Jennifer Nyoni Região Africana da OMS, Grupo Orgânico dos Sistemas e Serviços de Saúde (HSS) Dr. Michael Gichangi Consultor principal Sr. Simon Day IAPB Dr.ªRenée du Toit Perito da IAPB Sr. Ronnie Graham IAPB Sr. Luigi Bilotto Director de Educação, BHVI 62 | Competências Essenciais para a Força de Trabalho de Saúde Ocular na Região Africana Organização Mundial da Saúde ÁfricaESCRITÓRIO REGIONAL para a BUREAU RÉGIONAL DE L’ Organização Mundial da Saúde ÁfricaESCRITÓRIO REGIONAL para a BUREAU RÉGIONAL DE L’ Competéncias essenciais para a força de trabalho de saúde ocular na região africana da oms
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Competências essenciais para a força de trabalho de saúde ocular na Região Africana da OMS
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